Zelaya diz que Obama tomará atitude mais firme contra golpistas em Honduras

Brasília, 12 ago (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou hoje, no Brasil, que está convencido de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama não vai brincar com seu prestígio e terá uma atitude mais firme contra os golpistas que o destituíram de seu cargo no dia 28 de junho.

EFE |

Zelaya fez as declarações em entrevista coletiva depois da reunião de cerca de duas horas com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que reiterou seu apoio e lembrou a firmeza com a qual o Brasil condenou o golpe desde o primeiro momento.

Zelaya também explicou que tanto Lula, quanto ele estão de acordo que é necessário "planejar ações multilaterais de organismos como as Nações Unidas ou a Organização dos Estados Americanos (OEA)".

Neste sentido, o líder deposto afirmou que uma destas medidas seria "o não reconhecimento das eleições que surjam de um estado ilegal", como Zelaya se referiu ao próximo pleito que poderá ser realizado em Honduras, atualmente governada por Roberto Micheletti.

"É preciso levar em conta que este golpe foi o primeiro condenado pela OEA", afirmou Zelaya, que lembrou, além disso, que os Estados Unidos "patrocinaram" esta condenação.

Sobre o assunto, Zelaya afirmou que não acredita que Obama "tenha uma dupla moral, mas algumas forças internas nos EUA".

Durante seu discurso, o presidente deposto de Honduras lembrou também que a primeira parada do avião no qual foi expulso de seu país foi na base de Palmerola, em território hondurenho, mas com presença de militares americanos.

Para Zelaya, "nesse momento, os EUA e o Pentágono tinham que saber que havia um golpe de Estado em andamento" em Honduras e, por isso, pediu maior firmeza "para colocar um fim a este processo".

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, insistiu na ideia de que "os únicos que podem fazer os golpistas entenderem que não têm futuro são os EUA, por sua influência na região".

Amorim afirmou ainda que o próprio Lula estaria disposto a conversar com Obama se fosse necessário e ele mesmo se encontraria com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, mas não determinou datas sobre a reunião.

Zelaya, que viajará amanhã para o Chile para se reunir com a presidente Michelle Bachelet, foi recebido em Brasília, após o encontro com Lula, pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, também para analisar os detalhes da crise hondurenha. EFE ed-edv/pd

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