Zelaya diz que Micheletti será responsável por sua segurança na volta a Honduras

BUENOS AIRES - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta quinta-feira que, durante sua tentativa de voltar à capital do país, Tegucigalpa, sua segurança será responsabilidade do presidente interino do país, Roberto Micheletti.

Redação com Agência Ansa |


Zelaya concede entrevista na última quarta-feira / AP


Em entrevista ao canal argentino TN, Zelaya também desmentiu a informação de que conta com o apoio armado de grupos venezuelanos, como havia denunciado o novo governo hondurenho.

Zelaya, que foi destituído por um golpe de Estado em 28 de junho, lembrou as ameaças feitas por Micheletti e disse que o mandatário de facto deverá se responsabilizar por "qualquer dano que sofra".

Apesar disso, Zelaya afirmou não ter "medo" de ser morto e deu mais detalhes sobre sua tentativa de volta ao poder, que pode acontecer a partir desta quinta-feira.

"Voltarei com prudência, sem armas. Tenho o direito de cumprir o mandato que me foi dado pelo povo", comentou. Sobre as ameaças feitas por Micheletti de que Zelaya será preso "assim que pisar em solo hondurenho", o governante deposto afirmou que "agora os criminosos são juízes", o que "parece ridículo".

Zelaya, que tem amplo apoio da comunidade internacional, denunciou que a população hondurenha "está sendo reprimida e está suportando uma destruição da economia", além de sofrer violações dos direitos humanos.  Segundo o presidente depois, o golpe não tem o apoio do povo e é "sustentado pelos rifles".

Zelaya também descartou uma nova tentativa de resolução do impasse por meio do diálogo, após o fracasso das tentativas de mediação da Costa Rica.

"Não pedi nenhuma mediação, foi uma sugestão da [secretária de Estado norte-americana, Hillary] Clinton e mostrou a intransigência da direita golpista", acusou o presidente destituído, que também se disse "muito satisfeito" com as declarações do presidente Barack Obama sobre o golpe. Entretanto, Zelaya disse esperar "medidas mais contundentes por parte do país mais forte do mundo".

Durante a entrevista ao canal argentino, o líder explicou que a votação que seria realizada no dia 28 de junho consultaria o povo sobre a realização de um referendo para convocar uma Assembleia Constituinte, e não era uma tentativa de aprovar a reeleição, como havia acusado o governo de facto.

Apoio do Chile

Nesta quinta-feira, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, voltou a defender Zelaya, ressaltando que a Organização dos Estados Americanos (OEA) deve "adotar todas as medidas adicionais" para que Honduras "possa efetivamente recuperar a democracia".

Em visita oficial ao Paraguai, onde participará da Cúpula do Mercosul, a mandatária disse que o acordo proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, "continha todos os elementos essenciais e as garantias para as partes".

Arias havia proposto o retorno imediato de Zelaya à presidência com a condição de que o presidente destituído desistisse de tentar se manter no poder após o fim de seu mandato. Mas Micheletti rejeitou a proposta.

"Agora cabe à OEA adotar todas as medidas adicionais para criar as condições que permitam que o povo irmão de Honduras possa efetivamente recuperar a democracia", acrescentou Bachelet.

Por sua vez, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, reiterou hoje que é "inaceitável" a situação em Honduras, e afirmou que o regime de Roberto Micheletti "não vai se consolidar".

"É evidente que os partidários de Zelaya não vão deixar seu protesto e o regime não vai se consolidar", analisou Insulza, em entrevista à Rádio Uruguai. O representante da instituição destacou que "ninguém quer voltar a viver" a época dos golpes de Estado.

Leia também:


Leia mais sobre Honduras

    Leia tudo sobre: hondurasmanuel zelayaroberto micheletti

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG