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Zelaya diz que paciência com golpistas tem limites

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta terça-feira, em Washington, que a paciência com os golpistas que se firmaram no poder em seu país tem limites. Durante uma entrevista coletiva na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), o presidente eleito hondurenho disse acreditar que cada vez mais o nosso protesto está mais forte e que o governo interino, liderado por Roberto Micheletti, está debilitado.

BBC Brasil |

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras no último dia 28 de junho. Michelleti, que presidia o Congresso, assumiu a liderança do governo interino e vem resistindo a pressões da comunidade internacional para que Zelaya retorne ao país e seja restituído.

O líder interino defende a realização das eleições presidenciais em novembro e já deu início a campanha eleitoral no país. Em Washington, Zelaya disse que o processo não terá legitimidade e nem contará com o reconhecimento da comunidade internacional.

Indagado pela BBC Brasil se a "paciência infinita" que ele diz ter não poderia se esgotar quando chegasse perto do prazo do pleito presidencial, agendado para novembro, o líder deposto sorriu e afirmou:
"O que alguém faz quando um sequestrador pega nosso filho, põe uma pistola contra sua cabeça e pede um resgate? Foi o que eles fizeram. Deram um golpe e agora falam em criar um governo de unidade e reconciliação", disse o líder deposto.

"A paciência também têm limites, mas espero que ela não se esgote até que a comunidade internacional tenha tentado todos os processos legítimos", acrescentou.

De acordo com o presidente deposto, caso a diplomacia internacional fracasse "nós temos mecanismos alternativos que serão utilizados", afirmou, sem especificar quais seriam esses recursos.

Apesar de lançar mão de uma ameaça velada, Zelaya não foi tão explícito como no passado. Semanas após a deposição, ele conclamou a população de seu país a resistir aos "golpistas" em um gesto que teria sido criticado pelo governo americano.

EUA

O líder deposto de Honduras se encontrará nesta quinta-feira na capital americana com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

O governo americano ainda não classificou oficialmente a deposição de Zelaya como um golpe militar. Pelas leis americanas, se for determinado que militares afastaram o líder legítimo de um país, os Estados Unidos são obrigados a suspender a ajuda a essa nação.

O governo dos Estados Unidos já cortou um total de US$ 18 milhões em assistência a Honduras e, caso decida por suspender toda a ajuda que oferece ao país centro-americano, o governo interino de Micheletti se veria sob uma pressão ainda maior.

Mas representantes da ala mais à direita da oposição republicana acusam Zelaya de ter sido afastado porque teria infringido as leis de seu país ao tentar realizar um referendo que consultaria a população hondurenha sobre a formação de uma Assembleia Constituinte.

A empreitada, segundo críticos, seria uma manobra de Zelaya para tentar disputar um segundo mandato.

A Constituição do país só permite um único mandato presidencial e veta o tipo de referendo que o líder deposto propunha. Foi esse, inclusive, o motivo alegado por Roberto Micheletti para afastar Zelaya.

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