TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta quinta-feira à AFP que sua proposta de diálogo ao regime de fato ainda não recebeu qualquer resposta.

Segundo ele, até esta quinta-feira não houve qualquer resposta, formal ou informal, por parte do governo de fato a seu pedido de diálogo e, ao contrário, só acontecem demonstrações de força em torno da embaixada brasileira, onde ele se encontra refugiado desde segunda-feira.


Soldados seguem de prontidão na região da embaixada / AP

"Nossos alimentos foram racionados, não estão deixando passar nossas famílias, e mandam mensagens ameaçadoras", expressou Zelaya. "Eles nos atacam com ruídos e ameaças", acrescentou.

Segundo o presidente deposto, na madrugada desta quinta foi sentida uma forte detonação muito perto da embaixada.

O padre católico Andrés Tamayo, que permanece na embaixada para apoiar Zelaya, disse que alguns hóspedes da representação diplomática brasileira receberam mensagens em seus celulares dizendo que o local será ocupada pelos militares.

"Elas dizem: se não saírem, vamos lançar um assalto e capturar o presidente. Amanhã será teu último dia", contou.

Um porta-voz da polícia desmentiu qualquer ato de intimidação e afirmou que e explosão ouvida foi causada por um por um transformador de luz que deu defeito.

"Quanto à comida, a polícia e as forças armadas estão permitindo a entrada de alimentos e roupa, nada está sendo restringido", afirmou.

Missa na embaixada

O sacerdote Andrés Tamayo, de origem salvadorenha e um dos que acompanha Zelaya na embaixada brasileira, celebrou hoje uma missa na qual defendeu uma solução para a crise mediante o diálogo, informou a emissora local "Rádio Globo".

"No final, nós vamos vencer, não importa o que aconteça", disse Tamayo.


Zelaya e simpatizantes participam de missa na embaixada brasileira / AP

Toque de recolher suspenso

O governo interino de Honduras, presidido por Roberto Micheletti, anunciou a suspensão do toque de recolher no país a partir da manhã desta quinta-feira. O governo anunciou também a reabertura dos aeroportos, fechados desde a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país.

O toque de recolher havia sido imposto na última segunda-feira, logo após o retorno de Manuel Zelaya, que se encontra na Embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Micheletti decretou o toque de recolher assim que foi confirmada a notícia de que Zelaya estava no país. A medida, inicialmente, duraria até a manhã de terça-feira, mas depois foi estendida por mais 24 horas.

De acordo com informações da imprensa local, os arredores da sede diplomática brasileira estão cercados por policiais e militares. Na madrugada de terça-feira, a embaixada -- que abriga mais de 100 pessoas junto a Zelaya -- teve luz, água e telefone cortados. Os serviços já foram restabelecidos.

Na última quarta-feira foram confirmadas as mortes de dois manifestantes, que teriam entrado em confronto com a polícia local.


Policial tenta evitar que fotógrafo tire fotos de protesto em Honduras / AFP

Fontes do Hospital Escola confirmaram a morte de um membro da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, grupo formado por simpatizantes do mandatário democraticamente eleito por Honduras e que protestam contra o regime golpista.

Segundo as mesmas fontes, a vítima havia sido atingida na região do estomago por um disparo das forças locais. As autoridades policiais, por sua vez, informaram o falecimento de outro militante, que participava de uma manifestação. "Não sabemos como ele morreu. Não sabíamos se havia sido agredido, abriremos uma investigação para saber o que ocorreu", disse o porta-voz da Polícia Nacional, Orlin Cerrato.

Segundo a Cruz Vermelha, nos confrontos da última terça-feira pelo menos 200 pessoas ficaram feridas. Ontem, entre 10.000 e 15.000 partidários de Zelaya tomaram as ruas de Tegucigalpa para responder ao apelo do presidente deposto.


Polícia dispersa partidários de Zelaya na manhã de terça-feira / AP


* Com Ansa, AFP e Reuters

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