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Zelaya diz que agora é restituição ou morte

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta segunda-feira que ninguém voltará a expulsá-lo de seu país e que seu lema a partir de agora será pátria, restituição ou morte. Quase três meses depois de sua deposição, Zelaya regressou a Honduras nesta segunda-feira e se refugiou na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

BBC Brasil |

"A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte", afirmou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que cercaram a embaixada brasileira para comemorar a volta do presidente.

A Frente de Resistência contra o Golpe disse à BBC Brasil que milhares de pessoas estão viajando do interior do país rumo a Tegucigalpa para apoiar a volta do presidente eleito, mesmo com o risco de serem detidas.

AFP
Zelaya fez aparição surpresa em Honduras
Zelaya fez aparição surpresa em Honduras



O governo interino decretou toque de recolher a partir das 16 horas (horário local) até as 7 horas da terça-feira. Logo depois, ainda na noite da segunda-feira, com um chamado em cadeia nacional, o governo interino estendeu o toque de recolher para as 18 horas (horário local) da terça-feira.

Organizações de direitos humanos consideram a medida como uma tentativa de coibir a manifestação pró-Zelaya convocada para esta terça-feira, com a adesão de professores e funcionários públicos que convocaram a uma paralisação.

O governo interino também ordenou o fechamento dos aeroportos de todo o país "até segunda ordem", informou a Aviação Civil hondurenha.

Zelaya, por sua vez, disse estar disposto a estabelecer um diálogo com todos os setores do país com o fim de solucionar a crise política instaurada em 28 de junho, quando o líder foi preso, ainda em pijamas, por um grupo de militares e levado ao exílio na Costa Rica.

'Massacre'

Quase ao mesmo tempo, em Caracas, o presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que a presença da comunidade internacional em Honduras é importante "para evitar um massacre" no país.

"Temos que apoiar a presença de organismos internacionais para evitar um massacre e para que se garanta de maneira pacífica seu retorno (de Zelaya) ao poder", disse Chávez em transmissão ao vivo pela televisão estatal.

Segundo Zelaya, o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegará a Honduras nesta terça-feira para ajudar a solucionar a crise.

O presidente venezuelano - que se tornou alvo de ataques da oposição hondurenha - defendeu a realização de eleições democráticas, com Zelaya no poder.

"Que Honduras retome seu caminho, vá às eleições (...) e que seja o povo de Honduras que tome a decisão", afirmou.

Em seguida, em outro ato público, Chávez revelou que Zelaya teria entrado em Honduras escondido no porta-malas de um carro e assim teria burlado pelo menos 20 pontos de controle do Exército.

"Foi uma operação de engano bem planificada. Zelaya enganou os golpistas no porta-malas de um carro e em um trator", disse o mandatário venezuelano.

Ainda na manhã desta segunda-feira, Chávez foi um dos primeiros a anunciar, ao vivo, a notícia do retorno de Zelaya a Honduras.

A aliança de Zelaya com o presidente venezuelano por meio da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) teria levado à ruptura da aliança da direita hondurenha com o presidente eleito, para logo depois derivar na sua destituição, em 28 de junho.

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