Zelaya diz que 300 pessoas são presas em Honduras; polícia fala em 150 detenções

TEGUCIGALPA - O presidente desposto de Hondura, Manuel Zelaya, afirmou que 300 pessoas foram detidas nesta terça-feira por terem descumprido o toque de recolher imposto pelo governo interino de Roberto Micheletti. A polícia, por outro lado, diz que cerca de 150 prisões foram feitas, segundo informou o delegado David Molina.

Redação com agências internacionais |


Ainda nesta terça-feira, a embaixada brasileira teve os serviços de água, luz e telefone cortados. A falta de comida também atinge as pessoas que estão no local, já que a compra de mantimentos é impedida pelo toque de recolher imposto pelo governo na segunda-feira e prorrogado até às 6h de quarta-feira (9h em Brasília).


Polícia dispersa partidários de Zelaya na manhã desta terça / AP

Em entrevista ao jornal chileno "La Segunda", Zelaya qualificou de "ataque aleivoso" a repressão policial contra seus apoiadores que se reuniram diante da Embaixada do Brasil, onde ele recebeu abrigo na segunda-feira, quando voltou a Honduras.

"Há nove feridos no hospital e se fala de pessoas desaparecidas. Não sabemos se estão mortos", denunciou o presidente deposto. Segundo ele, "bombas de gás lacrimogêneo" foram atiradas contra as pessoas.

A rede de TV venezuelana Telesur afirmou que duas pessoas morreram durante os confrontos entre apoiadores de Zelaya e a polícia, mas a informação foi negada pela vice-chanceler de Honduras, Martha Lorena Alvarado, e não pôde ser confirmada por outras fontes.

O delegado de polícia David Molina disse que 100 pessoas foram detidas por não respeitar o toque de recolher e outras 49 por participar de distúrbios nos arredores da embaixada brasileira.

Molina disse que as pessoas detidas estão em um estádio de beisebol na Vila Olímpica, no extremo leste da capital hondurenha. Ele acrescentou que promotores dos direitos humanos e representantes da Cruz Vermelha são testemunhas de que os presos estão sendo respeitados.

Os distúrbios registrados nesta terça-feira deixaram dezenas de veículos com vidros quebrados e pneus furados. Também houve danos em residências particulares, restaurantes e outros edifícios comerciais, enquanto um carro policial foi incendiado.

Serviços básicos cortados

Também nesta terça-feira, a água e a luz foram cortadas na zona da embaixada brasileira em Honduras, no bairro de Palmira. Horas depois, os serviços foram restabelecidos , mas o Itamaraty informou que os telefones do escritório não estão funcionando.

Em resposta aos cortes de água e energia elétrica, o Brasil enviou uma carta pedindo uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para abordar a questão da segurança da embaixada brasileira na capital de Honduras.

O chanceler brasileiro afirmou ainda que os cortes "não se justificam (...), principalmente porque há cerca de 70 pessoas na embaixada, inclusive três crianças". "Não há tolerância com essa situação, queremos resolver de maneira pacífica", disse.

Reuters
Zelaya descansa em embaixada brasileira

Zelaya descansa em sala da embaixada brasileira

Segundo Amorim, o governo brasileiro também está em contato com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e com a embaixada norte-americana em Honduras para facilitar a eventual retirada de algumas pessoas que estão na embaixada brasileira e seu transporte para um local seguro.

Apesar de estudar medidas de "precaução", Amorim disse não acreditar que o governo interino de Honduras tome medidas mais radicais contra a embaixada brasileira.

Segundo ele, sua opinião é baseada no fato de isto nunca ter acontecido antes e em "informações indiretas" de que o governo interino de Honduras não estaria disposto a tomar tais atitudes.

Para o chanceler, qualquer outra medida contra a embaixada seria "uma prova de selvageria e desrespeito ao direito internacional".

Sem invasão

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, disse que seu governo respeitará a imunidade diplomática da embaixada brasileira. Em entrevista à Reuters, Micheletti disse que, se o presidente deposto quiser, poderá morar no local por "5 ou 10 anos".

"Nós não iremos fazer absolutamente nada que confronte outro país irmão", disse Micheletti. "Nós queremos que eles compreendam que ou lhe dão asilo político ou lhe entregam às autoridades hondurenhas para seu julgamento".

Micheletti havia exigido ao governo brasileiro que entregasse o presidente deposto para ser preso sob acusação de ter violado a Constituição com sua tentativa de abrir caminho para sua reeleição presidencial ou lhe desse asilo para tirá-lo do país.

"Nós vamos respeitar o que mandam as leis nacionais e internacionais", disse Micheletti. "Acho que os países do mundo não vão aceitar que dentro de suas sedes diplomáticas se permita que um cidadão esteja convocando a população à insurreição porque está contribuindo para um desastre que pode ter no país", acrescentou. "Zelaya jamais voltará a ser presidente deste país", disse Micheletti.

(Com informações de BBC, Ansa, AFP, EFE e Reuters)

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