Zelaya deixa embaixada do Brasil após 4 meses e segue para exílio

Germán Reyes. Tegucigalpa, 27 jan (EFE).- Após passar mais de quatro meses na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya deixou o país hoje, dia em que deveria ter concluído seu mandato, interrompido pelo golpe de Estado de 28 de junho de 2009.

EFE |

"Voltaremos", disse Zelaya ao chegar à Base Aérea Hernán Acosta Mejía, até onde foi acompanhado por milhares de manifestantes da Frente Nacional de Resistência Popular contra o Golpe de Estado, que se aglomeraram na extremidade sul do aeroporto internacional.

Na condição de "hóspede de honra", Zelaya viajou para a República Dominicana com o presidente desse país, Leonel Fernández. Sua saída de Honduras foi possível graças a um salvo-conduto concedido pelo novo chefe de Estado hondurenho, Porfirio Lobo.

Acompanhando Zelaya, estavam ainda: sua mulher, Xiomara Castro, sua filha Hortensia e o assessor Rasel Tomé, que disse à Agência Efe que o seu "retorno e o do presidente Zelaya acontecerá em breve".

Minutos antes de Zelaya deixar a embaixada do Brasil, sua mãe, Hortensia Rosales, declarou à Efe que ele estava "muito bem, tranquilo e feliz pelo povo estar lhe dizendo um 'Até breve!'".

Zelaya saiu da representação diplomática brasileira acompanhado de Porfirio Lobo e de Leonel Fernández, que há duas semanas assinaram um acordo a partir do qual o novo presidente hondurenho daria ao chefe de Estado deposto um salvo-conduto para que ele viajasse para a República Dominicana.

Ao chegar à base aérea, a mulher de Zelaya disse aos jornalistas que estava vivendo um turbilhão de emoções. Especificamente, mencionou a "alegria de deixar" o confinamento na embaixada brasileira e os 129 dias de "resistência" que ela e o marido passaram no local.

Xiomara também falou do "sentimento de ver a expressão do povo hondurenho", que "se sacrificou" e os "acompanhou"; fez um apelo pela "verdadeira reconciliação do povo hondurenho", e destacou o fato de milhares de pessoas terem ido se despedir de Zelaya.

"Eles vieram dar um 'Adeus' e também um 'Até logo' ao presidente Zelaya", declarou a ex-primeira-dama.

Depois que o presidente deposto deixou a embaixada, Lobo se disse "muito satisfeito" e convencido de que cumpriu o que prometera ao permitir que Zelaya seguisse para o exílio.

"Estou muito satisfeito porque sinto que, com isto, acabamos (com um problema)", afirmou Lobo aos jornalistas, aos quais ressaltou a importância de começar o mandato com "um ato de reconciliação da família hondurenha e com um ato de reconhecimento e respeito à dignidade da pessoa".

O novo chefe de Estado também disse que, ao conversar com Zelaya, este prometeu que "também vai colaborar" para que todas as partes baixem o tom.

"Isto fortalece a possibilidade de nós, hondurenhos, normalizarmos a relação com todos os países", acrescentou, destacando que manter um presidente trancado em uma embaixada era "muito ruim para a imagem de Honduras".

Nos arredores do aeroporto, os seguidores de Zelaya se despediram dele com gritos e agitando bandeiras de Honduras e do Partido Liberal, ao qual pertencem tanto o presidente deposto como o ex-chefe de Estado interino, Roberto Micheletti.

A saída de Zelaya da embaixada do Brasil foi marcada por um forte de esquema de segurança. Um comboio com aproximadamente 20 veículos, a maioria deles com seguranças armados dentro, levou o ex-presidente até o aeroporto.

Outras seis pessoas que acompanhavam Zelaya na representação diplomática brasileira tiveram que esperar um pouco mais para sair sob a proteção de promotores do Ministério Público, informou o oficial Germán Rivera, da Polícia Nacional. EFE gr/sc

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