Zelaya declara fracasso de proposta e diz que vai voltar a Honduras

A delegação que representa o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, nas negociações mediadas pela Costa Rica declarou como fracassada a proposta apresentada na quarta-feira pelo presidente costarriquenho, Oscar Arias, para tentar resolver a crise política no país. O (documento que foi batizado de) Acordo de San José fracassou por causa da intransigência do regime golpista, disse Rixi Moncada, representante de Zelaya, na noite de quarta-feira, na capital costarriquenha.

BBC Brasil |

Logo depois, o presidente deposto anunciou que vai viajar para o norte da Nicarágua, nesta quinta-feira, para entrar em Honduras por terra na sexta-feira.

"Vou voltar desarmado e pacificamente, para que Honduras retome a paz e a tranquilidade", afirmou Zelaya em uma entrevista coletiva na capital nicaraguense, Manágua.

Ele disse ainda que será acompanhado da mulher e dos filhos. "Responsabilizo os militares por qualquer dano", concluiu.

Tempo
A delegação que representa o presidente interino Roberto Micheletti preferiu não rechaçar nem ratificar o Acordo inicialmente.

"Como essa proposta envolve outros poderes do Estado, vamos apresentá-la a estes poderes e à Procuradoria-Geral, porque há processos em curso", afirmou Mauricio Villeda, representante da delegação.

Segundo ele, o governo interino dará uma resposta a Arias dentro de alguns dias.

O Acordo de San José apresenta 11 pontos necessários para que Zelaya volte ao poder em Honduras.

Segundo o documento, ele deveria ser restituído nesta sexta-feira, e um novo governo de coalizão deveria ser formado até a segunda-feira seguinte.

O plano prevê ainda a criação de uma comissão para verificar o cumprimento do acordo.

O presidente costarriquenho afirmou que esta é a última proposta que ele apresentará às delegações como mediador da crise.

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras no último dia 28 de junho. Uma tentativa de retornar ao país no início de julho fracassou depois que as autoridades bloquearam a pista de pouso do aeroporto de Tegucigalpa.

A crise política eclodiu depois que Zelaya tentou fazer uma consulta pública para perguntar se os hondurenhos apoiavam suas medidas para mudar a Constituição.

A oposição era contra a proposta de Zelaya de acabar com o atual limite de apenas um mandato por presidente, o que poderia abrir caminho para uma reeleição do atual presidente deposto.

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