Zelaya dá ultimato ao governo interino de Honduras

Negociadores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, estabeleceram um prazo final - até meia-noite de quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília)- para receber uma decisão do governo interino sobre um acordo para pôr fim à crise política no país. Não podemos seguir esperando mais, não podemos dar mais tempo à ditadura, disse Victor Meza, negociador chefe da comissão de Zelaya, em uma coletiva de imprensa na capital, Tegucigalpa.

BBC Brasil |

A comissão afirmou que, caso não receba uma resposta do líder interino, Roberto Micheletti, dará o diálogo como encerrado.

A comissão de Micheletti rejeitou o ultimato do presidente deposto e afirmou que anunciará sua decisão na sexta-feira, às 10h (14hrs, horário de Brasília).

"Havendo esta comissão rechaçado categoricamente o ultimato da meia-noite para responder a proposta que está na mesa, expressamos que nossa contestação ou contraproposta será apresentada amanhã às 10 da manhã", disse um comunicado divulgado pela equipe de Micheletti.

Negociação
Na quinta-feira, Zelaya rejeito uma proposta apresentada pela comissão de Micheletti e reiterou a proposta de que o Congresso hondurenho decida sobre sua restituição à Presidência.

A proposta do líder deposto, que está sendo analisada pela comissão de Micheletti, pede "o retrocesso da situação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e do Supremo Tribunal Eleitoral ao estado anterior a 28 de junho", disse Meza.

No último dia 19, Zelaya rejeitou a proposta do governo de fato para que o Supremo Tribunal de Justiça do país decida sobre o retorno dele ao poder. O líder deposto defende que o Congresso deve ser responsável pela decisão.

Zelaya foi deposto em 28 de junho, quando um grupo de soldados invadiram o Palácio Presidencial de Tegucigalpa, tiraram-no da cama e o obrigaram a embarcar, ainda de pijamas, para a Costa Rica.

A ação que levou à queda de Zelaya foi a convocação de uma consulta popular, marcada para o dia da deposição do presidente, que indagaria se os eleitores aceitariam a formação de uma Asembleia Constituinte.

Segundo os rígidos termos da Constituição do país, a carta hondurenha não pode ser alterada mediante plebiscitos e o presidente do país só pode exercer um mandato.

A oposição ao então presidente julgou que a consulta popular era uma manobra do então presidente de se perpetuar no poder.

O líder deposto regressou a Honduras clandestinamente em 21 de setembro e se refugiou na representação brasileira em Tegucigalpa juntamente com outras 60 pessoas.

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