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Zelaya critica declaração de que sua volta teria sido irresponsável

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, criticou nesta terça-feira as declarações do embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, que classificou a volta do líder hondurenho como irresponsável e insensata. Ele foi muito grosseiro e estas declarações foram infelizes, disse Zelaya em entrevista ao canal de televisão Telesur.

BBC Brasil |


O líder disse ainda que apoia apenas as declarações da secretária de Estado, Hillary Clinton e do presidente americano, Barack Obama, "que estão trabalhando pela minha restituição e pela reconstrução do sistema democrático hondurenho".

Segundo Zelaya, as declarações de Amselem foram "totalmente particulares e fora de contexto".

EUA

Além de Zelaya, um porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip J. Crowley, também comentou as declarações de Amselem e negou que tenha havido alguma mudança na postura americana em relação a Honduras.

Crowley respondia a uma jornalista, durante uma entrevista coletiva, que indagou se as declarações feitas pelo embaixador na OEA, Lewis Anselem, sobre o regresso de Zelaya a Honduras representariam uma guinada por parte dos americanos.

''Em absoluto, nós temos dito isto ao longo deste processo. Que todas as partes precisam agir de forma construtiva e evitar declarações provocativas ou que incitem à violência ou inibam a resolução desta situação'', disse Crowley.

O porta-voz do Departamento de Estado procurou atenuar as declarações do embaixador americano, que havia acrescentado ainda que Zelaya precisava parar de agir como um "astro de cinema'' e a se portar mais como um ''líder''.

''Acredito que o nosso representante apenas se referiu a declarações feitas pelo presidente Zelaya e por seus correligionários, de que é preciso agir de forma mais construtiva.''

Mídia

Ainda nesta terça-feira, o presidente deposto voltou a afirmar que os hondurenhos devem protestar contra o fechamento de duas emissoras de rádio e televisão pelo governo interino.

"Eu peço aos manifestantes nas ruas que exijam que as mídias fechadas voltem ao ar", disse Zelaya em uma entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Na segunda-feira, forças militares hondurenhas entraram nas instalações da Rádio Globo e da emissora de televisão Canal 36, na capital Tegucigalpa, e obrigaram as duas empresas a encerrarem suas transmissões.

ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou em um discurso em Nova York nesta terça-feira que está "preocupado" com a crise política em Honduras e declarou que ameaças contra a embaixada do Brasil em Tegucigalpa são "inaceitáveis".

"Ameaças contra a embaixada do Brasil em Honduras são inaceitáveis. A legislação internacional é clara: a imunidade não pode ser violada. Ameaças aos funcionários da embaixada e a suas dependências são intoleráveis", disse Ban.

O secretário-geral da ONU também afirmou que o estado de sítio de 45 dias decretado no último domingo pelo presidente interino do país, Roberto Micheletti, "aumentou as tensões". Ban também ressaltou que o Congresso hondurenho rejeitou a suspensão dos direitos civis.

Embaixada

A segurança da embaixada do Brasil em Tegucigalpa - que está cercada por forças de segurança desde 21 de setembro, quando Zelaya lá se refugiou -, foi discutida durante uma entrevista coletiva com jornalistas estrangeiros e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas hondurenhas, general Romeo Vásquez.

Segundo Vásquez, seus subordinados têm ordens para continuar protegendo o local. O general afirmou ainda que a iniciativa de depor, no mês de junho, o presidente Manuel Zelaya, não partiu dos militares do país.

"Não partiu de nós, militares. Se tivesse sido, eu seria o chefe de Estado, mas não sou. Estou subordinado aos poderes", disse ele em uma coletiva com jornalistas estrangeiros. Vásquez, no entanto, não quis responder se aceitaria servir a Zelaya caso ele volte ao cargo.

O general defendeu o diálogo como forma de resolver o impasse que vive o país e acrescentou que "a lei deve prevalecer, senão, vira barbárie".

Zelaya foi deposto da Presidência de Honduras em 28 de junho e levado à Costa Rica. Em seu lugar assumiu o então presidente do Congresso, Roberto Micheletti. Há pouco mais de uma semana, o presidente deposto retornou a Tegucigalpa e se refugiou na embaixada brasileira.

Pouco antes de ser deposto, Zelaya chegou a destituir o general Vásquez do comando das Forças Armadas hondurenhas por ele se opor ao projeto de convocar uma assembleia constituinte em Honduras. A decisão, no entanto, foi revertida pela Suprema Corte do país.


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