Zelaya convoca protestos contra governo interino de Honduras

TEGUCIGALPA - O presidente deposto, Manuel Zelaya, convocou a resistência contra o regime de fato em Honduras, em uma entrevista coletiva concedida nesta terça-feira. Segundo ele, a população deve protestar contra o fechamento de meios de comunicação determinado pelos golpistas.

Redação com agências internacionais |

AFP
Zelaya se prepara para coletiva na embaixada brasileira

Zelaya se prepara para coletiva na embaixada brasileira

"Chamo a resistência às ruas para que exija que os meios de comunicação fechados voltem a funcionar", afirmou Zelaya em coletiva concedida dentro da embaixada brasileira em Honduras, onde permanece desde de seu regresso ao país, na semana passada.

Na segunda-feira, o regime de fato de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, ordenou o fechamento da Rádio Globo e do Canal 36 de televisão, dois veículos ligados à oposição e que transmitiam regularmente as mensagens de Zelaya.

"Sem os meios de comunicação, o governo não pode realizar eleições" legítimas, disse Zelaya, destacando que as medidas do governo de fato vão além do fechamento dos meios de comunicação.

"Estão restringindo as liberdades de movimento, de expressão do pensamento, de organização, de reunião. Todas as liberdades que são uma conquista da humanidade ao longo dos séculos", assinalou Zelaya, que conclamou o povo hondurenho a não se deixar intimidar e a defender seus direitos.

Declaração 'infeliz'

Na entrevista, Zelaya criticou as declarações do embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, que classificou sua volta a Honduras como "irresponsável e insensata". "Ele foi muito grosseiro e estas declarações foram infelizes", disse Zelaya.

O líder disse ainda que apoia apenas as declarações da secretária de Estado, Hillary Clinton e do presidente americano, Barack Obama, "que estão trabalhando pela minha restituição e pela reconstrução do sistema democrático hondurenho".

Segundo Zelaya, as declarações de Amselem foram "totalmente particulares e fora de contexto".

EUA

Além de Zelaya, um porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip J. Crowley, também comentou as declarações de Amselem e negou que tenha havido alguma mudança na postura americana em relação a Honduras.

Crowley respondia a uma jornalista, durante uma entrevista coletiva, que indagou se as declarações feitas pelo embaixador na OEA, Lewis Anselem, sobre o regresso de Zelaya a Honduras representariam uma guinada por parte dos americanos.

''Em absoluto, nós temos dito isto ao longo deste processo. Que todas as partes precisam agir de forma construtiva e evitar declarações provocativas ou que incitem à violência ou inibam a resolução desta situação'', disse Crowley.

O porta-voz do Departamento de Estado procurou atenuar as declarações do embaixador americano, que havia acrescentado ainda que Zelaya precisava parar de agir como um "astro de cinema'' e a se portar mais como um ''líder''.

''Acredito que o nosso representante apenas se referiu a declarações feitas pelo presidente Zelaya e por seus correligionários, de que é preciso agir de forma mais construtiva.''

ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou em um discurso em Nova York nesta terça-feira que está "preocupado" com a crise política em Honduras e declarou que ameaças contra a embaixada do Brasil em Tegucigalpa são "inaceitáveis".

"Ameaças contra a embaixada do Brasil em Honduras são inaceitáveis. A legislação internacional é clara: a imunidade não pode ser violada. Ameaças aos funcionários da embaixada e a suas dependências são intoleráveis", disse Ban.

O secretário-geral da ONU também afirmou que o estado de sítio de 45 dias decretado no último domingo pelo presidente interino do país, Roberto Micheletti, "aumentou as tensões". Ban também ressaltou que o Congresso hondurenho rejeitou a suspensão dos direitos civis.

Embaixada

A segurança da embaixada do Brasil em Tegucigalpa - que está cercada por forças de segurança desde 21 de setembro, quando Zelaya lá se refugiou -, foi discutida durante uma entrevista coletiva com jornalistas estrangeiros e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas hondurenhas, general Romeo Vásquez.

Segundo Vásquez, seus subordinados têm ordens para continuar protegendo o local. O general afirmou ainda que a iniciativa de depor, no mês de junho, o presidente Manuel Zelaya, não partiu dos militares do país.

"Não partiu de nós, militares. Se tivesse sido, eu seria o chefe de Estado, mas não sou. Estou subordinado aos poderes", disse ele em uma coletiva com jornalistas estrangeiros. Vásquez, no entanto, não quis responder se aceitaria servir a Zelaya caso ele volte ao cargo.

O general defendeu o diálogo como forma de resolver o impasse que vive o país e acrescentou que "a lei deve prevalecer, senão, vira barbárie".

Zelaya foi deposto da Presidência de Honduras em 28 de junho e levado à Costa Rica. Em seu lugar assumiu o então presidente do Congresso, Roberto Micheletti. Há pouco mais de uma semana, o presidente deposto retornou a Tegucigalpa e se refugiou na embaixada brasileira.

Pouco antes de ser deposto, Zelaya chegou a destituir o general Vásquez do comando das Forças Armadas hondurenhas por ele se opor ao projeto de convocar uma assembleia constituinte em Honduras. A decisão, no entanto, foi revertida pela Suprema Corte do país.


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