Zelaya consegue apoio da OEA para não reconhecer eleições em Honduras

Washington, 1 set (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, alcançou hoje o apoio que buscava dos países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), que asseguraram que não reconhecerão os resultados das próximas eleições e defenderam um endurecimento das medidas de pressão contra a crise política.

EFE |

"Os países manifestaram hoje que não estão dispostos a reconhecer nem o processo, nem os resultados" das eleições do dia 29 de novembro, que serão realizadas em Honduras, explicou Zelaya, depois de se reunir com o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e com o Conselho Permanente do organismo.

"Todos se manifestaram em prol de endurecer mais as medidas contra o regime" de Honduras, disse Zelaya, ressaltando o apoio que recebeu dos 33 países-membros ativos do organismo, embora não tenha especificado os tipos de ações.

O presidente deposto foi recebido hoje pela OEA pela quarta vez desde que foi destituído e expulso de Honduras, no dia 28 de junho, depois de um golpe de Estado.

O encontro de hoje na OEA era "necessário", depois que a missão de chanceleres do organismo fracassou em sua tentativa de conseguir que o Governo de Roberto Micheletti assinasse o chamado Acordo de San José, em Honduras, explicou Zelaya.

O presidente deposto acrescentou que o encontro também serviu para "trocar opiniões" sobre o estado das negociações e da situação no país.

A crise em Honduras ainda não tem perspectivas de solução a curto prazo, dois meses depois do golpe de Estado, apesar dos esforços da comunidade internacional. Em paralelo, o Governo de Micheletti segue com seus planos de realizar eleições gerais.

Mas Zelaya se mostrou hoje confiante de que a comunidade internacional não aceitará os resultados das eleições, se forem realizadas sob o atual Governo.

O líder deposto disse que os países não podem se permitir "extravagâncias", como aceitar eleições "sem transparência", que sejam realizadas "sob sangue de fogo e baionetas" e nas quais o presidente legítimo esteja "expatriado".

Neste sentido, Zelaya se mostrou "plenamente confiante" de que todos os países vão "denunciar" e "condenar" o pleito de novembro.

"Não podemos nos permitir esse tipo de extravagâncias na democracia da América Latina", disse.

Do mesmo modo, disse confiar que a resposta dos países se endurecerá cada vez mais com o passar do tempo, enquanto a ordem democrática e constitucional em Honduras não for retomada.

Zelaya adiantou que, se as ações de pressão da comunidade internacional se esgotarem, o povo hondurenho e ele recorrerão a "medidas alternativas".

"O povo hondurenho tem uma paciência infinita e nós também, mas tudo tem um limite", sustentou Zelaya.

Por isso, ressaltou, "no momento em que se esgotarem todas estas ações da diplomacia internacional, (...) o povo e seu servidor também têm mecanismos alternativos para restituir o respeito e o direito à liberdade que os cidadãos têm de escolher seu governante e de participar do processo democrático".

O presidente deposto indicou que a comunidade internacional está aplicando muitas medidas de pressão, mas não ocultou seu desejo de que se endureçam, sobretudo por parte dos Estados Unidos.

"Os EUA conseguem conviver com um golpe de Estado na América Latina, um golpe que têm capacidade de reverter? O Governo do presidente Barack Obama se sente afastado por um grupo de golpistas que infringiram a lei no país?", se perguntou Zelaya.

"A maior potência do mundo não tem instrumentos para tomar atitudes neste sentido, de combater o terrorismo de Estado, o terrorismo violento que nasceu no país?", acrescentou.

"Acho que sim, que tem capacidade", afirmou.

Da mesma maneira, indicou que os países da América Latina não podem "ser enganados" diante da recusa de Micheletti a assinar o Acordo de San José e suas últimas propostas. EFE cai/pd

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