Zelaya chegou de surpresa à embaixada brasileira em Honduras, diz embaixador

BRASÍLIA - O diretor do Departamento para a América Central e Caribe do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, embaixador Gonçalo Mourão, afirmou nesta terça-feira que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, chegou à embaixada brasileira no país de surpresa. Zelaya quase se materializou na embaixada, disse o embaixador aos senadores da Comissão de Relações Exteriores.

Sarah Barros, repórter em Brasília |


Zelaya teria sido acolhido após solicitação da esposa do presidente deposto. Ela teria pedido audiência com a encarregada de negócios da embaixada, que posteriormente foi informada sobre o pedido de Zelaya para permanecer no local.

Mourão explicou que Zelaya justificou o pedido com o argumento de que ele gostaria de estabelcer um diálogo "pacífico e construtivo" para resolver o problema político enfrentado por Honduras.

O embaixador acrescentou que foi feito um convite a Zelaya para que ele fosse para a residência oficial da embaixada. Porém, ele preferiu ficar na chancelaria.

Ele também reforçou a avaliação de que foi "um ato de agressão" o fato de o governo interino de Honduras ter cortado água, luz e telefone da embaixada do Brasil no país. "É um ato de agressão que não pode ser aceito". destacou.

Segundo o diretor, o governo brasileiro entrou em contato com a Organização do Estado Americanos (OEA) para reverter a situação. Outro meio de intervenção foi tentado por meio de contato com o governo dos Estados Unidos, que ainda tem embaixador em Honduras.

De acordo com Mourão, apenas os embaixadores dos Estados Unidos e do Peru, entre os países americanos, continuaram no país após o golpe militar, em junho deste ano.

Os países que compõem a União Europeia também deixaram o país. "Os Estados Unidos têm este canal de diálogo como o governo de fato [de Honduras]. Não temos canal, porque não queremos", afirmou Mourão.

Questões internas

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) criticou o uso que Zelaya estaria fazendo da embaixada brasileira. "Não podemos entrar no chavismo de interferir em questões internas dos países", disse, referindo-se à política internacional do presidente venezuelano, Hugo Chavez.

Ele também questionou declarações de Zelaya de que haveria um acordo com o presidente da República brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para que o presidente deposto fosse abrigado na embaixada para conduzir seu retorno ao governo do país.

O senador Fernando Collor (PTB-AL) acrescentou a avaliação de que Zelaya não teria empreendido a volta a Honduras se não tivesse a garantia de onde poderia se hospedar. Ele também destacou que o Brasil não é o mais indicado para intermediar uma solução devido ao fato de ter retirado seu embaixador do país.

O diretor do Itamaraty afirmou que a decisão de Zelaya de buscar refúgio na embaixada teria se baseado na receptividade do governo a Zelaya quando este esteve no Brasil, após o golpe. Acredito também que a ida de Zelaya mostra o prestígio do Brasil, afirmou.

Leia também:

Leia mais sobre Honduras

    Leia tudo sobre: brasilhonduraszelaya

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG