O presidente deposto Manuel Zelaya retrocedeu à Nicarágua depois de pôr os pés, por alguns instantes, em Honduras, pela primeira vez desde que foi expulso por um golpe de Estado no dia 28 de junho, constatou uma jornalista da AFP.

Zelaya chegou na tarde desta sexta-feira à localidade nicaraguense de Las Manos, na fronteira com seu país, com a intenção de entrar em território hondurenho, constatou a correspondente da AFP.

A intenção do presidente deposto é "fazer um apelo ao diálogo e falar com as pessoas", como afirmou o próprio dirigente, definindo-se como "um homem de paz".

Sob uma forte chuva, Zelaya parou seu veículo a poucos metros da fronteira e foi imediatamente cercado por dezenas de hondurenhos gritando "Viva Mel".

Também estava no carro o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, cujo país é um dos aliados mais próximos do presidente hondurenho deposto, constatou uma jornalista da AFP.

Do outro lado da fronteira, em território hondurenho, um helicóptero da polícia sobrevoava a área e dezenas de policiais e militares fortemente armados vigiavam a entrada do território.

Mais longe, centenas de partidários do presidente deposto tentavam passar pela barreira formada pelas forças da ordem.

Antes da breve entrada de Zelaya no território hondurenho, sua chanceler, Patricia Rodas, disse à AFP que ele se reuniria em breve com as diferentes organizações sociais em Honduras, onde a justiça ditou ordem de captura contra ele por traição à pátria e corrupção.

O governo de fato decretou nesta sexta-feira toque de recolher a partir do meio-dia nas fronteiras de Honduras.

Derrubado do poder pelos militares em 28 de junho e expulso para a Costa Rica, de onde seguiu para a Nicarágua, Zelaya saiu quinta-feira de Manágua com a intenção de regressar a seu país.

A última tentativa de mediação entre as duas partes fracassou na quarta-feira.

jr/yw/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.