Por Gabriela Donoso HONDURAS (Reuters) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, buscará o apoio do México para regressar ao poder, enquanto o governo provisório mantinha, nesta segunda-feira, seu repúdio às críticas internacionais ao golpe de Estado e à repressão política.

Zelaya, que abandonou a fronteira da Nicarágua com Honduras - onde permaneceu mais de uma semana pressionando por seu retorno - e atualmente se encontra em Manágua, espera reunir-se na terça-feira com o presidente do México, Felipe Calderón, e talvez viajar para o Brasil.

Os governos do Brasil e do México, as duas maiores economias da América Latina, têm se mantido à margem da crise política de Honduras, embora respaldem a mediação até agora sem resultado do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e também observem as reações dos EUA.

"No momento, recebi um convite do México e outro convite do Brasil. Atenderei ao convite de Felipe Calderón, que neste momento é o presidente do Grupo do Rio", disse Zelaya à rede venezuelana Telesur no domingo.

Zelaya foi levado de sua casa sob a mira de um rifle por militares e expulso do país em 28 de junho, no mesmo dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre a reeleição presidencial, considerada pelos opositores como uma tentativa de perpetuar-se no poder, influenciado pelo aliado Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

MICHELETTI COM EMPRESÁRIOS

O presidente interino, Roberto Micheletti, insistiu na segunda-feira que uma comissão internacional visite Honduras para ajudar a resolver a crise e repudiou as contínuas críticas provenientes do exterior, que se traduziram em sanções econômicas e na expulsão do país da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"O mundo inteiro que venha ver o que está acontecendo em Honduras (...) isso é o que nos interessa, que o mundo comece a se dar conta de que nós estamos fazendo as coisas corretamente e dentro da Constituição," disse Micheletti após uma cerimônia na casa presidencial.

Analistas têm advertido que um estancamento na busca de uma saída para o conflito poderá gerar distúrbios.

Dois partidários de Zelaya foram mortos em manifestações depois do golpe de Estado. Outras duas pessoas morreram a facadas em incidentes separados que, segundo simpatizantes de Zelaya, estariam relacionados à violência política, o que é negado pela polícia e pelo governo interino.

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