Zelaya aumenta lista de líderes sul-americanos acolhidos pelo Brasil

A permanência do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira em Tegucigalpa é mais um exemplo de casos em que o Brasil acolhe líderes de países latino-americanos imersos em crise política. Nas últimas décadas, o país concedeu asilo a outros líderes depostos: o equatoriano Lúcio Gutiérrez e os paraguaios Alfredo Stroessner e Raul Cubas.

BBC Brasil |

Outro que esteve exilado no Brasil foi o general paraguaio Lino Oviedo, que fugiu do país acusado de tramar um golpe de Estado.

Apesar de semelhanças entre os casos, uma diferença fundamental torna o de Zelaya único: o presidente deposto hondurenho não pediu asilo à embaixada do Brasil em Tegucigalpa porque Brasília o considera o legítimo detentor do cargo hoje ocupado por Roberto Micheletti.

"A postura do Brasil foi sempre de apoio à restituição do poder do presidente Zelaya, o presidente constitucional de Honduras", resumiu o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que está em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Em posição semelhante à expressada por outros países da região e pela comunidade internacional, que não reconhece a legitimidade do governo interino, Amorim ressaltou que a presença de Zelaya no país pode facilitar o diálogo para o fim da crise política hondurenha.

Zelaya foi deposto em 28 de junho último, antes de que se instalasse o governo interino até agora não reconhecido pela comunidade internacional.

Aceitação internacional
Em outros casos, por razões diversas, a mudança de regime foi aceita internacionalmente.

Quando o Brasil concedeu asilo ao coronel equatoriano Lúcio Gutiérrez, em abril de 2005, por exemplo, ele acabava de sofrer uma deposição imposta pelo então Congresso do país, que entendeu haver desrespeito à Constituição quando ele tentou forçar reformas na Suprema Corte.

O militar, que esteve na cabeça de um levante indígena que derrubou o então presidente Jamil Mahuad no ano 2000, vivia uma situação politicamente insustentável: havia perdido o apoio de sua base ao suavizar o discurso contra o modelo econômico neoliberal sem, por outro lado, conseguir superar o poder da elite que sempre criticara.

Entre abril e outubro de 2005, Gutiérrez foi acolhido por Brasília e Bogotá, antes de regressar ao Equador em outubro e ser preso, acusado de colocar a segurança nacional em risco. Foi libertado no ano seguinte e se candidatou às eleições presidenciais, que terminaram com a vitória de seu rival Rafael Correa.

Já o regime do general paraguaio Alfredo Stroessner, de orientação anti-comunista, foi aceito no contexto de um tenso período da Guerra Fria. Ele chegou ao poder em 1954, inaugurando um período de mais de três décadas de ditadura sem eleições livres.

O antigo aliado brasileiro na época da construção de Itaipu foi deposto em 1989 por um golpe liderado pelo general Andrés Rodriguez - que foi, em seguida, eleito presidente. Viveu até o fim de sua vida em uma casa à beira do lago Paranoá, em Brasília; sua morte, em 2006, não mereceu sequer um comentário do Itamaraty.

Outros dois paraguaios pediram asilo no Brasil em meio a uma crise institucional em seu país: o general Lino Oviedo, que esteve por trás do golpe contra Stroessner e que foi acusado de planejar um novo golpe em 1996 e 2000, e o ex-presidente Raul Cubas, que liderava o país quando seu vice, Luis Maria Argaña, foi morto em 1999.

O Paraguai ainda vivia sob o fantasma dos golpes de Estado.

Após cinco anos vivendo no Brasil, Oviedo voltou ao Paraguai e foi absolvido das acusações. Chegou a se candidatar nas eleições que acabaram elegendo o atual presidente, Fernando Lugo, para o cargo de primeiro mandatário.

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