Por Walter Brandimarte NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta terça-feira que os presidentes de Argentina e Equador e os chefes da OEA e da Assembleia Geral da ONU vão acompanhá-lo no retorno ao seu país na quinta-feira.

"Voltarei a Honduras na quinta-feira, voltarei como presidente", disse Zelaya em entrevista coletiva na Organização das Nações Unidas (ONU), após fazer discurso na Assembleia Geral da entidade.

Antes, a Assembléia pediu a seus 192 membros que reconheçam somente o governo de Zelaya, reforçando assim o isolamento das Forças Armadas de Honduras e da administração interina nomeada pelo Congresso depois do golpe de Estado no país centro-americano.

Zelaya disse ainda que o presidente da Assembleia Geral, Miguel D'Escoto, também prometeu viajar com ele para Honduras, ao lado da presidente argentina, Cristina Kirchner, do equatoriano Rafael Correa e do chefe da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

Zelaya, que foi expulso de Honduras e levado à Costa Rica por militares no domingo, disse ter o apoio de toda a comunidade internacional e acrescentou esperar que os militares mudem de posição sobre sua volta e também o apoiem.

Questionado sobre o que garantiria sua segurança em Honduras, ele respondeu: "O sangue de Cristo, minhas convicções, minha conduta..."

O ministro interino do Exterior de Honduras disse que Zelaya será preso se retornar ao país.

O presidente deposto disse que pretende concluir seu mandato, e não concorrer novamente à Presidência do país. Ele foi expulso após tentar mudar a Constituição para permitir que o presidente busque a reeleição além do mandato de quatro anos.

DECISÃO DA ASSEMBLEIA

Em resposta a um repórter que perguntou se ele não será presidente outra vez, Zelaya disse: "Não, nunca."

Quando lhe perguntaram sobre o que fará depois que seu atual mandato expirar, Zelaya, um magnata do setor madeireiro, disse: "Vou voltar à vida civil e não à política, à vida com a minha família."

Zelaya, que assumiu o cargo em 2006, havia feito anteriormente um longo e confuso discurso à Assembleia, no qual defendeu sua trajetória e sua intenção de mudar a Constituição. Ele também contou como soldados o tiraram da cama, no domingo, e o colocaram em um avião, ainda de pijama.

Visto por seus críticos em Honduras como muito próximo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, Zelaya disse ainda que apenas havia tentado melhorar a situação dos pobres de Honduras, mas tinha sido tratado duramente pelo Exército hondurenho e a elite empresarial que controla o país há décadas.

"Ninguém me levou a julgamento. Ninguém me levou a uma corte para eu me defender, ninguém me disse qual é o crime", afirmou.

A resolução da Assembleia Geral se seguiu a uma série de condenações do golpe por líderes estrangeiros, desde Chávez até o presidente dos EUA, Barack Obama.

Aprovada por consenso, a resolução condena o que chamou de golpe de Estado e exige "a imediata e incondicional restauração do governo legítimo e constitucional" de Zelaya.

O texto diz que a assembleia "decide pedir firme e categoricamente a todos os Estados que não reconheçam outro governo, a não ser aquele" de Zelaya.

A resolução foi apresentada por um grupo de nações caribenhas e latino-americanas, com o apoio de vários outros países, incluindo os Estados Unidos.

O texto da resolução foi suavizado em relação a um esboço anterior que dizia que a própria assembleia "decidiu não reconhecer nenhum governo a não ser aquele" de Zelaya. Por sua vez, o documento final traz um pedido, um pouco mais fraco, de que os países-membros reconheçam somente o governo de Zelaya.

As resoluções da Assembleia Geral não são de cumprimento obrigatório, ao contrário das aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

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