Zelaya anuncia retorno a Honduras após fracasso de negociação

MANÁGUA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou neste domingo, após o fracasso do diálogo com os representantes do governo interino, que retornará ao seu país no próximo fim de semana.

Redação com Agência Ansa |

EFE

Zelaya, presidente deposto de Honduras


Zelaya advertiu que a situação de confronto vivenciada no país desde o golpe de Estado que o destituiu, em 28 de junho, "pode se regionalizar" e complementou que irá voltar a Honduras após o novo prazo solicitado pelo presidente da Costa Rica e mediador do conflito, Oscar Arias.

"Acredito que a comunidade internacional tem um desafio, porque foi burlada por este grupo de golpistas", disse o presidente eleito democraticamente. Zelaya, que terminaria seu mandato em janeiro de 2010, foi destituído sob a acusação de "traição à pátria" por promover um referendo sobre a reforma da Constituição do país, mesmo com a desaprovação da Justiça e do Congresso.

Em declarações na Embaixada de Honduras na Nicarágua, o mandatário também enfatizou que todas as ações do governo interino não possuem valor e ratificou que irá esperar o prazo de 72 horas, como pediu o mandatário costa-riquenho.

No domingo, em uma intensa jornada de negociações, o regime do presidente designado hondurenho, Roberto Micheletti, considerou a proposta de Arias "inaceitável" e abandonou as negociações. O primeiro dos sete pontos do plano do mandatário costa-riquenho exigia o retorno imediato de Zelaya ao poder.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, advertiu que a rejeição dos representantes de Micheletti poderá ocasionar o "risco" de violência em Honduras.

"Corre-se o risco de que a situação saia de seu percurso normal e tenhamos algo que não queremos ter: violência", afirmou. "Nós não entendemos porque" as autoridades de facto "repudiaram esta boa oportunidade" apresentada pela mediação de Arias, completou o representante da OEA, que disse ainda que "este é um golpe que fracassou, [eles] têm que reconhecer isso".

Protestos

Organizações do Bloco Popular, por sua vez, realizarão novos protestos nesta segunda-feira. Na quinta, será iniciada uma greve geral e o comércio de Honduras com a América Central deverá ser paralisado. Existe também a possibilidade de que os Estados Unidos suspendam sua atividade comercial.

De acordo com Marvin Ponce, deputado do Congresso Nacional pelo partido Unificação Democrática e membro da Frente de Resistência contra o Golpe, serão realizadas mobilizações em 22 pontos do país e que a greve será mantida até que Zelaya volte ao poder.

"Nós tínhamos a expectativa de que o diálogo com a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, iria ser frutífero para resolver a crise institucional em Honduras, que forçosamente tem que ser a restituição de Zelaya", disse o parlamentar à ANSA.

Ponce, que é também ex-dirigente operário, formou uma comissão que viajou aos Estados Unidos para dialogar com congressistas e funcionários do Departamento de Estado norte-americano.

Segundo ele, congressistas democratas prometeram iniciar gestões pela suspensão do Tratado de Livre Comércio desse país com Honduras, como medida de pressão para obrigar o regime de facto a deixar o poder.

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