O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, declarou, por meio de um porta-voz, que fracassou o acordo firmado para tentar pôr fim à crise política no país. O anúncio de Zelaya foi feito pouco depois de o presidente interino, Roberto Micheletti, ter formado um governo de união nacional que não incluía representantes de Zelaya.

Na semana passada, os dois rivais haviam concordado com a proposta dos Estados Unidos de formar um governo compartilhado até a meia-noite da quinta-feira (hora local, 4h da sexta-feira em Brasília).

Micheletti disse que Zelaya não enviou uma lista de representantes e que agiu para cumprir o prazo. Mas o presidente deposto havia dito antes que abandonaria o acordo se o Congresso não realizasse uma votação para que ele voltasse ao poder.

O governo interino, no entanto, insistiu que a reinstalação de Zelaya no cargo não era um elemento essencial do acordo.

Eleições
Além de ter declarado o fracasso do acordo, Zelaya afirmou ainda que não vai reconhecer o resultado das eleições planejadas para 29 de novembro.

"Não estamos dispostos a permitir que nos roubem nossa democracia com esse tipo de armadilhas", disse.

Em entrevista à BBC, Jorge Reina, representante do presidente deposto na Comissão de Verificação, responsabilizou o governo interino pelo fim do acordo.

"O governo interino tem nos enganado e enganado o mundo, porque não respeitam o que concordam", afirmou Reina, para quem a votação no Congresso deveria ter ocorrido antes da formação do governo de união nacional.

No início desta semana, o governo de Micheletti divulgou um comunicado à imprensa afirmando ter solicitado aos principais partidos políticos e candidatos presidenciais, inclusive a Zelaya, uma lista de dez nomes de pessoas que poderiam formar o novo governo.

A crise política em Honduras começou em junho, quando Zelaya foi retirado do palácio presidencial e de Honduras por representantes das Forças Armadas.

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