Zelaya agradece a Bachelet por apoio após golpe em Honduras

SANTIAGO (Reuters) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, agradeceu na quinta-feira o apoio recebido do Chile após o golpe de 28 de junho e, diante de uma estátua do ex-mandatário chileno Salvador Allende, acenou para dezenas de partidários que buscam a restituição dele ao poder. Zelaya, que foi retirado de casa sob a mira de revólveres e levado à Costa Rica por militares, chegou pouco depois do meio-dia ao palácio do governo, na capital chilena, para reunir-se com a mandatária Michelle Bachelet, ferrenha defensora do líder hondurenho deposto.

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O presidente deposto visitou vários países da região em busca de apoio para voltar ao poder e pedindo aos governos para que não reconheçam o presidente interino Roberto Micheletti.

Bachelet recebeu Zelaya na entrada do palácio e com um gesto o convidou a se aproximar e a saudar os manifestantes que o esperavam na saída da sede do governo.

Diante de uma estátua do socialista Allende, que foi derrubado por um golpe militar encabeçado pelo general Augusto Pinochet em 1973, Zelaya agradeceu com um megafone em mãos o convite da mandatária chilena.

"Quero reconhecer a integridade do povo chileno para que não retornem aos nossos países e à nossa sociedade nem os golpes de Estado nem os ditadores," disse Zelaya.

"Hoje eu gostaria de expressar aqui diante da figura de Salvador Allende minha admiração e meu respeito (...) Algum dia as grandes alamedas se abrirão para que passem os homens livres da América," acrescentou, citando a famosa frase do presidente chileno deposto.

Minutos depois, Zelaya se dirigiu à reunião programada com Bachelet no palácio de La Moneda.

"Queríamos que ele viesse para reiterar o reconhecimento do Chile ao presidente Zelaya como o presidente democraticamente eleito pelos hondurenhos," disse Bachelet a jornalistas, antes de um almoço com o mandatário hondurenho deposto.

O Chile condenou o golpe e se nega a reconhecer o governo de facto de Micheletti, que tomou o poder com a ajuda dos militares.

"O primeiro telefonema que recebi depois do golpe de Estado, para condená-lo, foi da presidente Michelle Bachelet," disse Zelaya aos jornalistas. "Vocês conheceram as ditaduras e sei que as condenam," acrescentou.

(Reportagem de Antonio de la Jara, Rodrigo Martínez e Bianca Frigiani)

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