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Zelaya afirma ter agido com prudência ao tentar voltar a Honduras

Luis Martínez. Tegucigalpa, 24 jul (EFE).- O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya afirmou hoje, ao pisar rapidamente de novo em território hondurenho, 24 dias após ter sido derrubado pelos militares, que age com prudência, mas com coragem.

EFE |

"Não tenho medo quando trabalho por um fim nobre", disse Zelaya aos jornalistas locais e internacionais que o cercavam em seu retorno a território hondurenho, onde permaneceu durante duas horas antes de recuar e voltar a solo nicaraguense.

"Não tenho ódio a ninguém", afirmou.

Ele ressaltou que age "com prudência, mas também com coragem".

"Sei defender meus direitos e não recuo quando alguém tenta me ultrajar", assegurou.

Zelaya entrou em território hondurenho procedente da Nicarágua pela passagem fronteiriça de Las Manos, cercado de colaboradores e dezenas de seguidores, onde soldados das Forças Armadas e da Polícia de Honduras mantinham forte vigilância.

No entanto, o líder se manteve no posto do lado hondurenho da fronteira, sem se aproximar do local no qual estavam os policiais e militares, à espera de sua família e de seguidores que estavam retidos pelas forças de segurança cerca de 12 quilômetros, segundo disse à imprensa a mulher do presidente deposto, Xiomara Castro.

"Já estou em território hondurenho, mas não quero confrontar os militares", disse Zelaya.

Ele explicou que em Las Manos buscaria "uma regra, um diálogo" com as autoridades para que permitam que continue entrando no país.

Com seu tradicional chapéu, camisa branca e colete preto, o presidente deposto afirmou que voltava ao país "em paz" e sem armas.

Zelaya pisou em território hondurenho por volta de 13h30 (16h30 de Brasília), pouco depois de ter chegado ao posto fronteiriço por estrada desde a cidade nicaraguense de Estelí, aonde chegou na quinta-feira desde Manágua em seu caminho de volta.

Ele disse que retornava "com plenas garantias, com plena segurança de que estamos fazendo o correto", e insistiu: "a liberdade é um princípio ao qual não vou renunciar".

Com seu retorno, disse, "há uma oportunidade de que o país volte à calma" e termine a crise política causada por sua deposição, em 28 de junho, quando o Parlamento nomeou em seu lugar Roberto Micheletti, até então chefe do Legislativo.

O conflito "será regulado (...), este não é o fim do mundo", defendeu.

O presidente deposto considerou que Micheletti não só deve abandonar o Governo, mas também "tem que se retirar como presidente do Partido Liberal", no poder, ao qual ambos pertencem. Ele também qualificou de "uma vergonha" que tenha participado de "um golpe de Estado".

Pouco antes da entrada de Zelaya, as forças de segurança tiveram pelo menos dois confrontos com centenas de seguidores do governante deposto e que se encontravam na saída da localidade de El Paraíso, onde receberam permissão de seguir em direção a Las Manos, situada 12 quilômetros ao sul.

Pelo menos duas pessoas ficaram levemente feridas nos incidentes -um policial que recebeu uma pedrada e outra pessoa que foi baleada -, segundo a imprensa local.

O Governo de Micheletti impôs um toque de recolher especial para a região fronteiriça com a Nicarágua, a partir de meio-dia (15h de Brasília).

Zelaya entrou rapidamente em Honduras apesar dos apelos da comunidade internacional e de diversos setores políticos e sociais hondurenhos para que não fizesse isso, sob o risco de gerar uma situação de violência.

O ministro de Defesa hondurenho, Adolfo Sevilla, reiterou à imprensa que Zelaya seria "capturado imediatamente" caso atravessasse a fronteira, e disse que será respeitada "sua dignidade e protegida sua família".

Contra Zelaya pesa uma ordem de captura por crimes cometidos no processo para realizar, em 28 de junho, uma consulta para promover uma Assembleia Constituinte, que foi declarada ilegal por vários órgãos do Estado por violar a Constituição hondurenha, mas que foi frustrada pela deposição do governante.

Micheletti sustenta que não houve golpe de Estado contra Zelaya, mas uma "substituição constitucional".

O Governo interino, porém, não é reconhecido pela comunidade internacional, que insiste em que os dois continuem o diálogo auspiciado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, na busca de uma saída à crise. EFE lam/db

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