Zelaya acusará golpistas no TPI por crimes de lesa-humanidade

Manágua, 30 jul (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou hoje em Manágua que acusará o novo governante de seu país, Roberto Micheletti, e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general Romeo Vásquez, por crimes de lesa-humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI).

EFE |

Zelaya disse em entrevista coletiva que fará essa acusação formal nas "próximas horas" e que o processo inclui os membros da Junta de Comandantes das Forças Armadas de Honduras, a direção do Congresso, o promotor Luis Rubí e o magistrado Tomás Arita, entre outros.

O líder deposto fez esse anúncio depois de se reunir de forma inesperada, na embaixada de Honduras na Nicarágua, com o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens.

"O TPI vai receber, nas próximas horas, este processo que está claramente orientado para a abertura de um julgamento com todos os fundamentos de lei e de uma investigação", informou Zelaya.

Essa acusação será dirigida contra o general Vásquez; o chefe da Força Aérea, Miguel Ángel García; o da Força Naval, Juan Pablo Rodríguez, e o general-de-brigada Luis Javier Pérez Suazo.

Também inclui Luis Rubí e Tomás Arita, porque ambos, segundo Zelaya, emitiram "todo tipo de resoluções pelas costas de todo julgamento e todo procedimento jurídico em Honduras e no mundo".

Arita é um dos quatro funcionários do Governo hondurenho que tiveram ontem seu visto diplomático revogado pelos Estados Unidos, disse o governante deposto.

Zelaya explicou que esse pedido será apresentado por seu Executivo com base no fato de que órgãos como a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, a Procuradoria e o Poder Judiciário se negaram a reconhecer o delito representado pelo golpe de Estado que ele sofreu em 28 de junho.

"Me vejo obrigado a apresentar o processo ao TPI perante a negação de justiça por parte dos órgãos competentes da jurisprudência hondurenha", justificou.

O líder derrubado manifestou que pedirá ao TPI para que "proceda imediatamente a um julgamento contra estes indivíduos, a fim de criar o ambiente nacional para que não haja impunidade neste crime".

"Pediremos ao promotor do Tribunal Penal Internacional para que receba esta solicitação como um ofício urgente e proceda à investigação pela comissão dos delitos de lesa-humanidade em meu prejuízo e em prejuízo dos cidadãos", explicou Zelaya. EFE lfp/bba

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