Zardari toma posse como presidente do Paquistão e homenageia Bhutto

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 9 set (EFE) - O viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, tomou posse hoje como novo presidente do Paquistão em cerimônia que contou com a presença do chefe de Estado afegão, Hamid Karzai, como convidado especial, em um gesto a favor da reconciliação entre os dois países.

Zardari foi recebido com aplausos e gritos de "viva Bhutto" em sua entrada na sala do Palácio Presidencial onde ocorreu a cerimônia de posse, que foi assistida pelo chefe do Exército, Ashfaq Kiyani, por membros do Governo central e das províncias, líderes políticos e representantes diplomáticos.

A grande ausência foi o líder da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), Nawaz Sharif, que até o final de agosto era aliado do Partido Popular do Paquistão (PPP) de Zardari, e que optou por viajar para Londres para se encontrar com a esposa, que tem problemas de saúde.

Acompanhado pelo primeiro-ministro, Yousaf Raza Gillani, e pelo chefe do Senado e presidente interino, Mohamadmian Sumro, Zardari jurou defender a Constituição do país perante o chefe do Tribunal Supremo, Abdul Hamid Dogar.

"Que Alá me ajude e me guie", pronunciou Zardari ao encerrar seu juramento, que suas filhas, Asafa e Bajtawar, e seu filho Bilawal acompanharam com lágrimas nos olhos.

O viúvo da ex-primeira-ministra Bhutto sucede no cargo Pervez Musharraf, que renunciou em 18 de agosto, após quase nove anos no poder, para evitar um processo de cassação.

Após a posse, um Zardari evidentemente contente compareceu perante a imprensa acompanhado de Karzai, e dos retratos de Benazir Bhutto e do fundador do Paquistão, Mohamad Ali Jinnah ao fundo.

"Aceito humildemente a Presidência do Paquistão em nome de Benazir Bhutto", disse na cerimônia, na qual foram constantes as alusões ao legado da esposa, assassinada em 2007, e a seu sogro, Zulfikar Ali Bhutto, enforcado em 1979 pelo ditador Zia-ul-Haq.

O presidente afegão, que reiteradamente acusou Musharraf de dificultar a luta contra os talibãs e membros da Al Qaeda que operam no Afeganistão, dando-lhes refúgio em solo paquistanês, se desfez em elogios para as novas autoridades paquistanesas.

Karzai descreveu o Executivo do PPP como "bem-intencionado" e focado em lutar contra o terrorismo para conseguir a paz e a prosperidade na região.

Ele acrescentou que os "sentimentos de irmandade e boa vizinhança" entre Paquistão e Afeganistão "vão além das queixas" que pôde ter feito em relação ao Paquistão, e assegurou ter percebido no Executivo do PPP "exatamente o mesmo ponto de vista e a mesma experiência de sofrimento" em relação ao terrorismo.

"Somos maiores que o terrorismo. Tivemos problemas e continuaremos tendo, mas temos que permanecer juntos", declarou Zardari, que destacou que o Governo desenvolveu um "plano global" de luta contra o terror.

Embora, em um primeiro momento, o Governo tenha tentado o diálogo de paz com os líderes de tribos insurgentes na fronteira afegã, nas últimas semanas o Exército lançou operações incisivas contra elas e o movimento talibã local foi banido.

Também foi registrado um aumento da freqüência dos ataques das forças dos Estados Unidos presentes no Afeganistão contra alvos paquistaneses, que levaram o Governo a protestar pelas baixas entre civis.

O presidente do Afeganistão pediu para que a luta se concentre contra "os alvos corretos", que são os refúgios dos insurgentes, e não as áreas civis, seja em solo afegão ou paquistanês.

Por sua vez, Zardari pediu que o mundo se dê conta de que os paquistaneses também são "vítimas" da praga terrorista e sugeriu a criação de um "fundo internacional, talvez patrocinado pela ONU", para socorrê-los.

O novo presidente paquistanês anunciou que sua primeira visita oficial será à China, provavelmente na próxima semana, e prometeu reduzir o orçamento destinado à Presidência.

Conhecido como o senhor "10%" por suas supostas práticas corruptas durante o governo de sua esposa, Zardari teve ontem outro gesto similar ao ordenar aos ministros que não gastassem dinheiro público para colocar anúncios de felicitação a ele na imprensa. EFE igb/ab/db

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