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Zardari diz que situação de segurança no Paquistão é crítica

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 20 set (EFE) - O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, assegurou hoje em seu primeiro discurso diante do Parlamento do país que não se tolerará "nenhuma violação da soberania territorial por nenhum poder externo" na luta contra o terrorismo.

"A situação de segurança é crítica", disse o viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que foi assassinada.

"Temos de acabar com o terrorismo e com o extremismo, mas com nossa estratégia (...) a força será só o último recurso, e (apenas) contra aqueles que se recusarem a abandonar a violência", acrescentou.

Zardari fez tais declarações em meio a uma recente onda de ataques no território paquistanês da aviação e de comandos americanos no Afeganistão.

O novo Governo paquistanês chegou a negociar com os insurgentes, mas, nos últimos meses, a violência voltou com o uso de operações militares e atentados, como os que sacudiram hoje áreas do cinturão tribal e um hotel em Islamabad.

Segundo o Exército, seis pessoas, dentre elas dois soldados, morreram no primeiro ataque suicida realizado horas antes do discurso de Zardari contra um comboio militar que se dirigia rumo à região de Miranshah, no Waziristão do Norte.

O segundo atentado aconteceu horas depois no Waziristão do Sul: vários artefatos explodiram na passagem de outro comboio militar e causaram a morte de duas pessoas, deixando outras três feridas.

O pior ataque foi registrado nas proximidades de um hotel. Um atentado com bomba deixou pelo menos 40 pessoas mortas e outras 90 feridas, entre elas estrangeiros, perto do luxuoso hotel Marriott de Islamabad, informou uma fonte médica ao canal paquistanês "Dawn".

O hotel, muito freqüentado por estrangeiros, continua em chamas e está a ponto de desabar em decorrência do ataque, que pôde ser ouvido a quilômetros de distância.

As áreas tribais da fronteira entre Afeganistão e Paquistão são consideradas pelos Estados Unidos refúgio dos talibãs e da Al Qaeda, e os últimos ataques americanos contra alvos na parte paquistanesa causaram mal-estar em Islamabad.

"Temos de desenvolver as relações com os EUA em longo prazo", disse Zardari, que classificou de "necessária" a realização de uma sessão especial na Câmara para tratar sobre as operações contra a insurgência.

Entre aplausos dos legisladores e na presença do chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani, e do líder da opositora Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, dentre outros, Zardari disse que a "honra" e o "privilégio" da Presidência lhes foram concedido em nome de Bhutto.

"Tenho um sonho para o Paquistão: libertá-lo da pobreza, da fome, do terrorismo e da desunião", disse com rosto sério o líder do governamental Partido Popular do Paquistão (PPP).

Além disso, Zardari pediu ao Parlamento que crie uma comissão parlamentar, da qual todos os partidos participem a fim de revisar os poderes presidenciais de dissolver as Câmaras e reformular o Governo.

Estas medidas foram introduzidas através de uma reforma constitucional feita pelo seu antecessor no cargo, o general reformado Pervez Musharraf, e receberam fortes críticas do PPP quando esse estava na oposição.

Zardari destacou também a importância das relações com China e Irã e se comprometeu a avançar no assunto da Caxemira e no processo de paz com a Índia.

Em discurso solene, mas carente de grandes decisões, o presidente defendeu a reconciliação nacional, uma maior autonomia para as províncias e lembrou os soldados mortos em combate e os membros da dinastia Bhutto já falecidos.

Embora não tenha dedicado muito tempo para abordar a crise econômica do país, o presidente destacou a necessidade de potenciar a agricultura para garantir a segurança alimentar de todos os cidadãos e pediu um maior investimento estrangeiro.

O líder da oposição e membro da direção da PML-N, Chaudhry Nisar Ali Khan, se mostrou "decepcionado" com o discurso de Zardari e o classificou de "convencional".

"Foi abaixo das expectativas e não anunciou nenhuma decisão importante", disse.

Os membros minoritários da coalizão governamental, que mostraram sua satisfação, não se uniram à crítica.

Zardari assumiu o cargo presidencial em 9 de setembro, três dias depois de ser eleito presidente por mais de dois terços dos legisladores nacionais e provinciais.

Seu antecessor, Musharraf, havia renunciado em meados de agosto antes de a coalizão do Governo iniciar um processo de cassação parlamentar contra si. EFE igb/fh/db

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