Zapatero ratifica compromisso com imigrantes e desempregados em ato nos EUA

Washington, 4 fev (EFE).- O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, reiterou hoje seu compromisso com os desempregados e a integração dos imigrantes em um ato político-religioso assistido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

EFE |

No café da manhã Nacional de Oração, realizado em Washington, Zapatero falou em espanhol, "na língua em que pela primeira vez se rezou ao Deus do Evangelho nesta terra", disse.

O governante espanhol discursou diante de um auditório com mais de 3 mil pessoas, entre estas Obama, sua esposa, Michelle, o vice-presidente, Joe Biden, e a secretária de Estado, Hillary Clinton.

Apesar de ter chegado cedo ao hotel para conversar com os convidados, não conseguiu dialogar com Obama, que entrou no salão após o início do ato.

O presidente americano deu um caloroso abraço antes de sentar-se e, ao tomar a palavra, disse estar "feliz" por ver seu "querido amigo" Zapatero e enviou "saudações" à Espanha.

Por sua vez, o líder espanhol fez um discurso em favor da liberdade, da tolerância e da aliança de civilizações, e condenou a "utilização adulterada da fé religiosa para justificar a violência".

Além disso, honrou a memória das vítimas do terrorismo na Espanha e nos Estados Unidos, porque "juntos defendemos a liberdade onde a mesma está ameaçada".

Zapatero dedicou sua "prece" a reivindicar "o direito de cada pessoa em qualquer lugar do mundo a ter sua autonomia moral", assim como "a liberdade de todos para viver sua própria vida, para viver com a pessoa amada e para criar e cuidar de sua família, merecendo respeito por isso".

E, como pedia este ato, leu uma passagem da Bíblia, o capítulo 24 do Deuteronômio.

"Não oprimirás o jornaleiro pobre e necessitado, seja teu compatriota, ou um estrangeiro que vive em alguma das cidades de teu país. Pague seu jornal nesse mesmo dia, antes que o sol se por, porque está necessitado, e sua vida depende de seu jornal", recitou.

Insistiu a todos os presentes a velar pela integração dos imigrantes que chegam para trabalhar e por aqueles que não podem ser amparados e passam "fome e miséria", como os habitantes do Haiti.

Zapatero aproveitou o momento para proclamar seu "mais sincero compromisso" com os homens e mulheres que sofrem "nestes tempos difíceis" pela falta de trabalho.

"Não há tarefa da qual, como governantes, nos sintamos mais responsáveis, que a de agilizar a criação do emprego", assegurou Zapatero.

Obama fez em seu discurso um chamado a encontrar um "terreno comum" no debate político, e ressaltou que encontrou apoio na Espanha quando prestou homenagem à ajuda enviada ao Haiti pelos Estados Unidos e aos "esforços similares" da Espanha e outros países, após o terremoto que assolou esse país em 12 de janeiro.

Zapatero fez um paralelismo entre seu país e os Estados Unidos, duas nações que "devem muito aos que vieram de fora" e que "não seriam ninguém sem isso".

Após elogiar a tradição da liberdade nos Estados Unidos, apresentou a Espanha como "uma das nações mais antigas da terra" forjada na diversidade celta, ibera, fenícia, grega, romana, judia, árabe e cristã, assinalou.

Depois de lembrar o passado de convivência do judaísmo, o cristianismo e o islamismo, elogiou a defesa que fez a Espanha da tolerância religiosa, o respeito à diferença, o diálogo, a convivência entre culturas e a aliança das civilizações.

Uma defesa que realiza com tanta convicção como rejeita "as afirmações excludentes, a superioridade moral, o absolutismo e o fundamentalismo intransigente".

A tolerância é melhor que a aceitação do outro, é descobrir e conhecer o outro, revelou Zapatero, convencido que no desconhecimento está a raiz de muitos conflitos que ameaçam o mundo.

"O ódio nasce da ignorância e a harmonia se constrói a partir do conhecimento, também a paz", ressaltou.

Além da Bíblia, Zapatero citou "Dom Quixote", escrito por Miguel de Cervantes, em 1605, para lembrar que "pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode abater os homens.

"Que esse dom siga iluminando América e todos os povos da terra", concluiu Zapatero, quem completará seu dia em Washington com um almoço na Câmara de Comércio e com uma conferência no Atlantic Council, centro de análise especializado em Defesa e Segurança. EFE nl/dm

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