Zapatero precisará de segunda votação para tomar posse como chefe de Governo

María Luisa González Madri, 9 abr (EFE) - O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista (PSOE), terá que se submeter na sexta-feira a uma segunda votação para tomar posse de seu segundo mandato no cargo por não ter conseguido hoje a maioria absoluta necessária. Zapatero recebeu 168 votos dos 176 necessários para conseguir o apoio da maioria das 350 cadeiras do Congresso dos Deputados (Câmara Baixa). O chefe de Governo espanhol teve apenas o apoio da bancada socialista, formada por 169 deputados - um deles esteve ausente da votação de hoje. Votaram contra todos os deputados do conservador Partido Popular (PP), o principal da oposição com 154 cadeiras, os três representantes da independentista Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e a única deputada da recém-criada legenda União, Progresso e Democracia (UPyD, em espanhol), Rosa Díez. Os outros grupos minoritários, incluindo os nacionalistas catalães da legenda Convergência e União (CiU, em catalão) e o Partido Nacionalista Basco, respectivamente terceira e quarta força parlamentares, se abstiveram. O presidente do Congresso dos Deputados, José Bono, convocou a próxima votação para o meio-dia da sexta-feira. Nesta ocasião, Zapatero precisará do apoio de uma maioria simples para ser empossado chefe do Executivo espanhol.

EFE |

O líder socialista deixou o Congresso cercado por jornalistas, para os quais disse que a votação transcorreu como esperava.

Esta é a primeira vez em que um candidato à Presidência do Governo espanhol cujo partido ganhou as eleições não é empossado no Parlamento por maioria absoluta.

A votação de posse ocorreu hoje depois de Zapatero ter exposto na terça-feira seu programa de Governo, baseado em dois eixos principais: um plano de medidas para enfrentar a desaceleração econômica e a proposta de acordos entre partidos políticos em questões "de Estado".

Este segundo ponto do planejamento do chefe de Governo espanhol envolve aspectos como a luta contra a organização separatista basca ETA e a política externa.

O porta-voz do PSOE no Parlamento espanhol e ministro interino da Defesa do país, José Antonio Alonso, disse hoje que o partido se dispõe a governar "sem condicionantes, com diálogo e um esforço específico de busca de acordos nos assuntos que afetam as vidas dos cidadãos e as questões de Estado".

Neste contexto, Alonso afirmou que os socialistas estão satisfeitos com o fato de que o PP "tenha mostrado uma certa receptividade" às propostas de acordos entre partidos.

O líder conservador, Mariano Rajoy, falou hoje sobre sua disposição quanto a alcançar eventuais acordos, mas lembrou suas condições para o combate à ETA, por exemplo, algo que para ele passa pelo "eixo básico" de que não poderá haver negociação com a organização basca.

A liderança de Rajoy à frente do PP é motivo de controvérsia desde que perdeu as eleições para presidente do Governo espanhol pela segunda vez.

Esse assunto foi a principal causa de confronto entre o Governo do PSOE e o PP durante o mandato anterior de Zapatero, no qual o chefe de Governo iniciou um processo de diálogo rumo a uma saída para a violência da ETA, o qual fracassou quando a organização decidiu retomar a luta armada pela independência do País Basco.

Zapatero adiantou hoje que anunciará a composição de seu Governo no próximo sábado após comunicá-la ao rei espanhol, Juan Carlos.

O líder socialista anunciou anteriormente que haverá algumas mudanças na estrutura do Executivo, sendo que a principal pode ser a nomeação de uma mulher para o comando do Ministério da Defesa, algo inédito na Espanha.

Alguns nomes devem ser mantidos por Zapatero, como os dois vice-presidentes do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega e Pedro Solbes, que também é ministro de Economia e Fazenda.

Além deles, o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e os responsáveis pelas pastas de Justiça, Cultura e Saúde também devem continuar em seus cargos no próximo Governo.

EFE mlg/bba/db

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