Zapatero pede apoio do Parlamento para combater problemas econômicos e ETA

Madri, 8 abr (EFE) - O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu hoje durante seu discurso de posse no Congresso dos Deputados (Câmara Baixa) a confiança do Parlamento do país para um segundo mandato com um programa baseado em medidas para reduzir a desaceleração econômica. Além disso, Zapatero, membro do Partido Socialista (PSOE), ofereceu uma estratégia pactuada por todas as legendas para fazer frente ao grupo separatista basco ETA. O dirigente socialista reservou a primeira e maior parte de seu discurso para reconhecer que, embora a economia espanhola atualmente esteja melhor do que em 2004, a situação no contexto mundial é menos propícia. Neste sentido, o presidente do Governo espanhol aludiu à incerteza dos cidadãos do país frente às turbulências financeiras internacionais e anunciou a adoção de medidas imediatas e em médio prazo para fazer frente ao panorama desfavorável. Para Zapatero, as boas bases da economia espanhola são um bom amortecedor, mas não são um muro que isola o país. Com isso, previu que neste próximo mandato haverá um panorama de crescimento menor do que no anterior, mas fez questão de lembrar que este não é um horizonte prolongado, mas transitório.

EFE |

O presidente do Governo espanhol anunciou medidas imediatas sobre a economia centradas no setor da construção civil, que sofreu uma forte deterioração nos últimos meses, e adiantou que acelerará a licitação de obras públicas e iniciará um plano de recolocação de desempregados da área.

Apesar dos atuais problemas econômicos, Zapatero anunciou que manterá as políticas sociais e afirmou que aumentará o salário mínimo e as pensões mais baixas, além de aprofundar as políticas de igualdade entre homens e mulheres para acabar com a disparidade salarial.

O presidente do Governo espanhol também falou sobre outro assunto de extrema importância na política do país: a luta contra a ETA, e propôs a criação de "uma estratégia antiterrorista de todos os grupos da Câmara".

Para Zapatero, o grupo "só tem um destino: pôr fim a sua barbárie criminosa definitiva e incondicionalmente".

A resposta do líder da oposição e do conservador Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, a esta oferta pode fazer a diferença neste mandato, depois de o precedente ter sido marcado por um áspero confronto a respeito da política com a ETA.

A organização cometeu vários atentados nos últimos meses, o último a apenas dois dias das eleições gerais espanholas, em 9 de março, quando Isaias Carrasco, um ex-vereador socialista no País Basco, foi assassinado a tiros.

Rajoy se declarou hoje "predisposto" a obter acordos com Zapatero sempre que o socialista esclarecer os objetivos e os procedimentos a serem seguidos para tais pactos.

Em seu discurso na sessão de posse de Zapatero como chefe do Executivo espanhol, o líder conservador elogiou a "retificação" do presidente do Governo de querer voltar ao acordo com o PP.

Entretanto, para Rajoy, o chefe de Governo também "demonstra uma preocupante obstinação em continuar pelo mesmo caminho de repetir equívocos".

"Sinto uma profunda desconfiança em seu programa político e seu discurso de hoje não me ajuda a mudar isso", acrescentou o líder da oposição, antes de afirmar que espera as "retificações" de Zapatero quanto à política antiterrorista para que possam "se entender" neste âmbito.

O líder do PP disse estar aberto a qualquer acordo com o Governo contra a ETA, sempre que este estiver na mesma direção que o pacto antiterrorista o qual, segundo ele, o chefe de Governo espanhol "enterrou para ter as mãos livres".

Segundo Rajoy, esse eventual acordo deve assegurar que não voltará a haver mudanças nessa política até a derrota definitiva da ETA.

No que se refere à economia espanhola, o líder conservador acusou o socialista de "disfarçar a realidade" e de responsabilizar "exclusivamente o que vem de fora pela atual situação".

Para Rajoy, as medidas econômicas anunciadas hoje pelo presidente do Governo espanhol "não são mais que remendos", e suas iniciativas em matéria social "só se sustentam em uma boa política econômica".

EFE mlg/bba/db

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