Zapatero oferece diálogo e pactos em seu segundo mandato

María Luisa González Madri, 11 abr (EFE).- O socialista José Luis Rodríguez Zapatero foi reeleito hoje para o Governo espanhol em uma votação no Parlamento na qual obteve uma maioria simples, sendo que apenas deputados de seu partido o apoiaram.

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Zapatero recebeu 169 votos a favor, enquanto 158 foram contrários e 23 se abstiveram, fazendo com que ele seja o primeiro chefe do Executivo espanhol que mesmo pertencendo a um partido vitorioso nas eleições não tenha sido apoiado pela maioria absoluta (176 de um total de 350 cadeiras) na Câmara dos Deputados.

Apesar disto, declarou se sentir "mais contente", pois há quatro anos foi escolhido por maioria absoluta após firmar pacto com a coalizão de tendência comunista Esquerda Unida e com os catalães da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) - partido favorável à independência da região.

A falta de uma maioria absoluta no Parlamento lhe obrigará a buscar apoios pontuais com as demais forças políticas, embora não tenha descartado a apresentação de algum um acordo estável.

Assim como na primeira sessão, hoje todos os deputados do conservador Partido Popular (PP) - o principal da oposição com 154 cadeiras - e os três representantes do ERC e do Rosa Díez - a ex-socialista que estréia no Parlamento como a única deputada do novo partido União, Progresso e Democracia (UPyD) - votaram contra.

O restante, formado por grupos minoritários, como os nacionalistas catalães do Convergência e União (CiU) e os bascos (Partido Nacionalista Basco) se abstiveram.

Após proclamar que neste segundo mandato pretende pôr em prática sua "idéia da Espanha", tendo o diálogo como "sua pauta essencial de comportamento", Rodríguez Zapatero, de 47 anos, propôs às demais forças políticas firmar pactos em assuntos essenciais, com uma menção especial ao PP, como "principal partido da oposição".

Nesta busca de acordos incluiu todas as forças políticas, também as que hoje votaram "não" em sua posse.

O presidente reeleito do Governo disse que buscará criar "uma estratégia antiterrorista compartilhada por todos para vencer a ETA", a renovação dos órgãos da Justiça, os principais assuntos da Presidência espanhola da União Européia em 2010 e a modernização da Administração de Justiça.

Além disso, se comprometeu a enfrentar os efeitos da crise econômica mundial "com urgência, com medidas de alcance conjuntural, com reformas e medidas de maior prazo" através de um diálogo com os empresários e os sindicatos.

O líder da oposição conservadora, Mariano Rajoy, aceitou a proposta de Zapatero sobre eventuais pactos.

"Meu partido quer acordos de Estado, estamos dispostos a realizá-los, não só estamos dispostos, mas pedimos que sejam feitas a respeito do terrorismo para derrotar a ETA", no modelo de Estado, sobre política externa e a Presidência espanhola da União Européia, proteção social e justiça.

A receptividade mostrada por Rajoy teve também um reflexo nos outros grupos minoritários, como os nacionalistas bascos do PNV, que, apesar de terem optado pela abstenção na votação, declararam através de seu porta-voz parlamentar, Josu Erkoreka, que continuarão "com a mão estendida e a vontade firme de encontrar soluções".

Zapatero, que dias antes das votações sondou a possibilidade de alcançar um acordo estável com nacionalistas catalães e bascos, advertiu em seu discurso de posse que não embarcará "em aventuras".

O presidente regional basco (lehendakari), Juan José Ibarretxe, do PNV, anunciou em 2007 que em outubro deste ano convocará um plebiscito sobre as relações futuras do País Basco com a Espanha.

A consulta não é contemplada na Constituição espanhola que reserva este direito ao Governo central.

A estratégia a seguir com a ETA, que há mais de 30 anos procura a independência do país basco pelas armas, e as reivindicações nacionalistas foram os dois assuntos mais enfrentados na legislatura anterior, com uma política severa, do Governo de Zapatero e do PP de Rajoy.

O líder conservador enfrenta grandes tensões internas em seu partido após perder pela segunda vez as eleições para o congresso, realizadas em junho no qual sua liderança poderia ser questionada por alguns setores dentre eles a Comunidade de Madri, presidida por Esperanza Aguirre, que reivindica um debate de "idéias".

Zapatero apresentará seu novo Governo sábado após encontro com o rei Juan Carlos. Não se esperam grandes mudanças no novo Executivo, que poderia ter pela primeira vez uma mulher, possivelmente Elena Salgado, como ministra da Defesa, e mudanças na estrutura. EFE mlg/bf/fal

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