Kiev, 16 jan (EFE).- A primeira-ministra Yulia Timoshenko, a mulher que inspirou com seus discursos a Revolução Laranja de 2004, é uma das favoritas nas eleições presidenciais que acontecem amanhã na Ucrânia.

Timoshenko, que espera vencer no segundo turno, inevitável segundo as pesquisas, desperta tanto ódio quanto paixão. Mas ninguém discute seu carisma pessoal, beleza física e habilidade política.

"Defenderemos nosso país da volta da praga de oligarcas que devorarão tudo", disse Timoshenko nesta semana sobre seu principal rival adversário no pleito, o opositor Viktor Yanukovich.

A primeira-ministra, de 49 anos, é uma política camaleônica que tanto discursa às massas contra a expansão russa e defende a aproximação com o Ocidente como estabelece uma estreita relação de trabalho com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

"Ela precisa do poder absoluto, já que só isso pode protegê-la", assinalou há poucos dias o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, que acusou a antiga aliada de se submeter aos ditames do Kremlin.

Não apenas por suas ambições e sua incisiva retórica, Timoshenko também fez fama por sua trança loira em forma de diadema, que virou sua principal característica.

"A Princesa da Revolução" teve todo tipo de dissabores desde que foi nomeada primeira-ministra em fevereiro de 2005, mas chegou forte e com chances de vitória ao principal momento de sua carreira política: as eleições presidenciais.

Economista e especialista em cibernética, foi vice-primeira-ministra da Ucrânia (de dezembro de 1999 a abril de 2001) responsável pelo setor de energia, ao qual esteve vinculada durante toda sua vida profissional.

Durante o ano e meio que exerceu esse cargo, tentou "pôr ordem" em um terreno minado pela corrupção e pelo roubo de matérias-primas do setor energético, o que a levou para o primeiro duelo com Yanukovich.

Na Revolução Laranja de 2004, apoiou abertamente Yushchenko e o ajudou a chegar ao poder, mas criou sua própria agenda à frente do Governo ao lançar um radical programa de privatização, o que lhe custou a destituição em setembro de 2005.

No entanto, após ficar dois anos ao lado da oposição, reconciliou-se mais uma vez em dezembro de 2007 com Yushchenko, que respaldou sua candidatura à chefia do Governo, cargo que exerce desde então.

A trégua durou pouco e, após tentar tirar os poderes do presidente, Yushchenko lançou uma campanha de desprestígio contra Timoshenko e de sua gestão anticrise, que não terminou desde então.

Finalmente, após negar inúmeras vezes suas ambições presidencialistas, decidiu apresentar sua candidatura como porta-bandeira dos ideais revolucionários que cativaram o mundo em 2004.

Timoshenko pôs as cartas na mesa ao declarar desde o início que seu rival nas eleições seria Yanukovich e assegurar que Yushchenko esgotou todo seu crédito político e traiu a Revolução Laranja.

A disputa política não será fácil para ela, já que muitos ucranianos a acusam de descumprir suas promessas e de ser a responsável direta pelo buraco negro onde se encontra a economia nacional, que encolheu entre 10% e 20% em 2009.

Fiel a seu estilo, Timoshenko decidiu contra-atacar focando suas críticas nos grandes monopólios do leste do país, o celeiro eleitoral de Yanukovich, e acusando-os de arrasar o povo durante a crise econômica mundial.

A primeira-ministra sustenta que a prioridade da Ucrânia é a integração europeia, mas soube ficar em cima do muro ao ignorar intencionalmente o polêmico assunto da entrada do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ao que a maioria da população se opõe.

Além disso, em um equilíbrio aparentemente impossível, selou com Putin acordos sobre tarifas de fluxo e abastecimento de gás, que lhe proporcionaram os mais diversos elogios em Moscou e Bruxelas.

A primeira-ministra, consciente de sua extraordinária capacidade retórica, desafiou Yanukovich a um debate eleitoral para pôr em evidência o pouco carisma de seu oponente, mas este rejeitou o convite.

Segundo as enquetes, Timoshenko contaria com mais de 20% das intenções de voto, dez pontos a menos que Yanukovich, mas a carismática primeira-ministra guarda uma carta na manga.

Yanukovich tem chances quase impossíveis de ser eleito já no domingo. Por isso, Timoshenko apelará para o voto do medo no segundo turno, esperando reunir os apoios liberais e pró-ocidentais para se transformar na primeira presidente ucraniana. EFE bk-io/sa

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