Wikipedia fecha site italiano em protesto contra lei

Medida elaborada por governo Berlusconi procura impor novas restrições a jornais e páginas da internet

iG São Paulo |

A Wikipedia desativou a versão italiana de seu site em protesto contra uma lei de privacidade elaborada pelo governo de Silvio Berlusconi que deve impor novas restrições a jornais e páginas da internet, além de coibir a publicação de escutas telefônicas da polícia.

Reuters
Italiana protesta em Roma contra a lei de privacidade que pode restringir as páginas da internet

A enciclopédia online alertou que pode fechar sua página www.wikipedia.it permanentemente por causa do disposto na lei, que obriga websites a corrigir conteúdos considerados prejudiciais à imagem de uma pessoa dentro de 48 horas a partir do recebimento de uma queixa, sem direito a recurso.

A atitude da Wikipedia coincidiu com manifestações planejadas no centro de Roma nesta quarta-feira contra a lei, no momento em que o Parlamento italiano se reuniu para discutir uma emenda que refrearia o direito de jornais italianos de publicar escutas telefônicas da polícia durante investigações preliminares.

O vazamento de gravações telefônicas do premiê na mídia tem prejudicado sua imagem. Em uma delas ele critica a Itália, classificando-a como país "de merda" e, em outra, ele teria insultado a chanceler alemã Angela Merkel.

Manifestantes se reuniram perto do Parlamento com a boca colada por fita adesiva. "Os próprios pilares em que a Wikipedia tem sido construída - neutralidade, liberdade e verificabilidade de seus conteúdos -tendem a ser fortemente comprometidos", disse uma carta publicada pelos "Usuários da Wikipédia" em seu site italiano - que foi bloqueado para pesquisas.

"A obrigação de publicar no nosso site a correção... sem sequer o direito de discutir e verificar a reclamação é uma restrição inaceitável da liberdade e independência da Wikipedia," disse o site.

O primeiro-ministro Berlusconi, que começou a tentar endurecer as leis de privacidade logo após sua chegada ao poder para um terceiro mandato em 2008, diz que as restrições à mídia e websites são necessárias para garantir os direitos de cidadãos privados.

Com Reuters

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