Wikileaks vaza memorando da CIA sobre terrorismo americano

Documento analisa prováveis problemas no exterior por os EUA serem vistos como exportador do terror

iG São Paulo |

A organização Wikileaks filtrou nesta quarta-feira em seu site um memorando interno da Agência de Inteligência Americana (CIA) de fevereiro, que adverte sobre o impacto que teria se os Estados Unidos fossem vistos no exterior como um país "exportador de terrorismo".

O documento de três páginas intitulado "E se estrangeiros virem os Estados Unidos como um 'exportador de terrorismo'?" teria sido produzido pela chamada "Célula Vermelha" da CIA, segundo disse o porta-voz George Little à rede de TV CNN. Funcionários admitiram que o documento, que fala do fenômeno de terroristas com cidadania americana, é um memorando da CIA, mas garantiram que não se trata de uma informação "bombástica", segundo a rede "NBC".

O memorando, que foi escrito a pedido do diretor da agência, Leon Panetta, analisa os problemas que podem ser acarretados pelos EUA serem vistos, no exterior, cada vez mais como um país "incubador e exportador de terrorismo”.

Reuters
O australiano Julian Assange, fundador do site Wikileaks
O documento, cuja divulgação foi prometida via Twitter pelo Wikileaks, recebeu o selo de "secreto", o mais baixo nível de classificação quando se trata de confidencialidade, segundo a CNN.

O Wikileaks publicou o memorando apesar das duras e constantes críticas da Casa Branca e do Pentágono sobre sua maneira de agir após 76 mil documentos sobre a guerra no Afeganistão terem vazado, no final de julho, e da pressão para que não sejam divulgadas as 15 mil páginas restantes.

Conteúdo

No documento divulgado nesta quarta-feira, a CIA afirma que no passado foi prestada muita atenção nos casos de terroristas islâmicos com nacionalidade americana que atentavam contra alvos americanos principalmente no território dos Estados Unidos. Dessa forma, deixaram de analisar o terrorismo de cidadãos americanos, não necessariamente muçulmanos, e que praticam atentados no exterior contra outros alvos.

A CIA assinala que, ao contrário do que se acredita, "a exportação de terroristas não é um fenômeno recente, nem foi associado unicamente a radicais islâmicos ou pessoas de etnias do Oriente Médio, África ou Sul da Ásia". Cita ainda casos como o dos cinco muçulmanos americanos que viajaram no ano passado da Virgínia ao Paquistão para se unir aos talibãs e o do americano de origem paquistanesa que, em 2008, participou do atentado terrorista de Mumbai.

Em sua análise, afirma que a liberdade que existe no país facilita o recrutamento de pessoas e a realização de operações terroristas, além de assinalar que sua principal preocupação é de que a Al Qaeda infiltre membros nos Estados Unidos.

Segundo a CIA, um dos impactos seria os parceiros estrangeiros ficarem menos dispostos a cooperar em "atividades extrajudiciárias", como detenções, transferências e interrogatórios de suspeitos.

Mandado

No sábado, a Justiça sueca emitiu e retirou uma ordem de prisão contra o fundador do site Wikileaks, Julian Assange, por causa de uma acusação de estupro. O fundador do Wikileaks disse que o Departamento de Estado americano estaria  por trás das acusações.

*Com EFE

    Leia tudo sobre: afeganistãodosseeuawikileaksciajulian assange

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG