Diplomata dos EUA destacou o que ele descreve como "a paranoia" britânica sobre as relações com seu país

Um diplomata americano revelou que o Reino Unido ficou "paranoico" sobre a chamada relação "especial" com os Estados Unidos após a eleição de Barack Obama como presidente, revelam novos documentos vazados pelo site WikiLeaks aos quais teve acesso o jornal britânico "The Guardian".

Em uma das filtragens, publicadas neste sábado, um diplomata dos EUA destacou o que ele descreve como "a paranoia" britânica sobre as relações com seu país.

Em 2008, em um documento escrito a partir da embaixada dos EUA em Londres o diplomata Richard LeBaron descreve um encontro com o agora ministro de Exteriores do Reino Unido, William Hague, antes de os 'tories' chegarem ao poder.

LeBaron relatou que quando perguntou a Hague se a relação entre EUA e o Reino Unido continuava sendo "especial", o hoje titular de Exteriores respondeu: "Queremos um regime pró-americano. Precisamos. O mundo precisa".

As mensagens estão entre as mais de 250 mil obtidas pelo WikiLeaks, cujo fundador, Julian Assange, tem prisão decretada pela Justiça sueca por supostos abusos sexuais e, aparentemente, se encontra vivendo com amigos no sudeste da Inglaterra.

"Os britânicos perguntam se a relação especial continua especial em Washington", é o título de uma das mensagens enviadas por LeBaron em fevereiro de 2009.

LeBaron afirmou que "mais de um funcionário britânico perguntou aos diplomatas da embaixada se o presidente Obama pretende enviar algum sinal em seu discurso inaugural sobre as relações entre EUA e o Reino Unido".

O fato de a imprensa britânica estar dedicando muito espaço a comentar que a Casa Branca devolveu ao Governo britânico o busto de Churchill que adornou o Salão Oval durante o mandato de Bush (George W.) foi outro episódio destacado em um dos documentos enviados pelo diplomata.

"Este período de especulação excessiva no Reino Unido sobre a relação (entre os países) é mais paranoico do habitual", disse LeBaron, quem considerou a leitura britânica do assunto "cômica com frequência, se não fosse tão corrosiva".

Ressalta ainda que "o compromisso britânico de recursos financeiros, militares, diplomáticos - em apoio das prioridades globais dos EUA continua sem ter comparação".

Os relatos indicam que os conservadores prometeram antes das eleições um Governo "pró-americano" se chegassem ao poder e comprar mais armamento dos EUA.

Em outro comunicado enviado a Washington, LeBaron lembrou que Hague descreveu seus colegas tories, incluindo a si mesmo, como "os meninos de Thatcher" e acérrimos partidários da conexão Atlântica.

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