Wikileaks: Irmão de Karzai acusado de corrupção e narcotráfico

Acusação contra irmão de presidente afegão faz parte de 250 mil documentos diplomáticos vazados no domingo pelo site Wikileaks

iG São Paulo |

Diplomatas americanos acusam Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente afegão Hamid Karzai, de "corrupto e envolvido no tráfico de drogas", segundo documentos diplomáticos revelados no domingo pelo site Wikileaks.

Notas diplomáticas da Embaixada dos EUA em Cabul reafirmam, sem apresentar provas, as acusações feitas regularmente nos últimos anos pelos serviços de inteligência e meios de comunicação americanos a respeito de Ahmed Karzai, principal autoridade do Conselho Provincial de Kandahar, no sul do Afeganistão que sempre negou as acusações afirmando não haver provas contra ele.

"Ahmed Wali Karzai, com quem devemos negociar como chefe do Conselho Provincial de Kandahar, é considerado geralmente corrupto e traficante de droga", afirma um dos documentos, redigido após uma reunião entre o irmão do presidente afegão e um emissário americano.

"Essa reunião com Ahmed Wali Karzai destaca um de nossos principais desafios no Afeganistão: como lutar contra a corrupção e estabelecer uma relação entre a população e seu governo quando os principais funcionários do Estado são corruptos", completa o texto.

O irmão de Karzai é um dos homens mais poderosos da instável e estratégica região de Kandahar, um dos principais redutos dos insurgentes talibãs.

Repercussão

O porta-voz do governo francês, François Baroin, expressou nesta segunda-feira solidariedade com Washington após o vazamento dos milhares de documentos secretos, advertindo sobre o perigo que as publicações podem desencadear.

"Nos solidarizamos com a administração americana e com sua vontade de evitar algo que atenta não somente contra a autoridade dos EUA, mas põe em perigo homens e mulheres que trabalharam a serviço do país", afirmou Baroin à rádio "Europe 1".

Após mostrar "preocupação" com "a difusão de informações de caráter confidencial", o porta-voz e ministro de Orçamento garantiu que haverá colaboração com os EUA para combater "o que é uma ameaça" contra "a autoridade e a soberania democrática". Segundo Baroin, Washington avisou Paris sobre "a realidade dessas publicações".

Caso houvesse um "Wikileaks francês", o ministro porta-voz disse que seria preciso ser contundente e persegui-lo nos tribunais. "A proteção dos Estados é algo sério. É a proteção de homens e mulheres, de cidadãos".

Já a justiça australiana ordenou uma investigação sobre a divulgação dos documentos e anunciou que apoiará eventuais ações judiciais dos EUA contra o portal fundado pelo australiano Julian Assange. "Do ponto de vista australiano, pensamos que a publicação dessas informações pode ser contrária a vários artigos da lei", disse o procurador-geral do país, Robert McClelland.

Documentos subestimados

O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, pediu que não seja dada excessiva importância aos cabos diplomáticos americanos publicados pelo site Wikileaks, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal "Corriere della Sera".

"São informações que tinham de permanecer secretas. Provavelmente sua publicação é ilegal, mas, ao fim, parecem sair de uma revista de fofocas", disse La Russa.

Ao comentar os documentos publicados pelo Wikileaks em que o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, é definido como "porta-voz" na Europa de seu homólogo russo, Vladimir Putin, o ministro da Defesa ressaltou que o que conta é que as relações entre Itália e EUA "são ótimas".

Para ele, o Wikileaks não deveria se pronunciar sobre a aproximação entre o governo italiano e o russo, até porque, segundo ele, Berlusconi defende o "direito da Rússia de ser ouvida".

O ministro também qualificou de "banais" e "ridículos" outros dois documentos secretos da diplomacia americana em que se diz que "Berlusconi aparece cansado demais porque vai dormir tarde" ou se fala de suas "festas radicais".

No entanto, La Russa indicou que essas publicações obrigarão "a mudar o sistema de relações diplomáticas, e os diplomatas terão de ser mais cuidadosos, reflexivos e prudentes em seus relatórios". Berlusconi ainda não se manifestou sobre o assunto.

*Com EFE e AFP

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