WikiLeaks: EUA sabiam de bombardeio de Israel contra reator sírio

Israel nunca confirmou oficialmente que tenha atacado em 2007 instalação nuclear supostamente construída com ajuda norte-coreana

iG São Paulo |

Um telegrama que a ex-secretária de Estado americana Condoleezza Rice enviou a seus embaixadores no mundo em maio de 2008 confirma pela primeira vez, de forma oficial, que Washington estava a par do bombardeio israelense contra um suposto reator nuclear na Síria em 6 de setembro de 2007, poucas semanas antes de sua entrada em funcionamento.

"Em 6 de setembro de 2007, Israel destruiu o reator nuclear construído secretamente pela Síria em Al-Kibar aparentemente com a ajuda da Coreia do Norte", escreveu em 25 de abril de 2008 Condoleezza, aos representantes diplomáticos americanos no exterior, segundo a nota obtida pelo site WikiLeaks e publicado pelo jornal israelense Yediot Aharonot.

Condoleezza acrescenta na nota que, até o momento do envio do telegrama, os EUA haviam preferido não compartilhar a informação com os embaixadores americanos para "tentar evitar um conflito".

"Nossos especialistas em inteligência estão convencidos de que o ataque tinha como alvo um reator do mesmo tipo que o construído pela Coreia do Norte em Yongbyon", escreveu a então secretária de Estado. "Temos todas as razões para acreditar que o reator não foi construído com um objetivo pacífico", completou Condoleezza, ao afirmar que não seria usado para produzir energia elétrica. "Quando Israel atacou, faltavam apenas algumas semanas para que o reator estivesse em condições de operar", disse.

A Síria sempre negou que o local atacado pela aviação de Israel fosse uma usina nuclear, admitindo apenas que era uma "instalação militar em construção". Israel nunca negou que sua força aérea tivesse atacado um alvo na Síria em 6 de setembro de 2007, mas nunca reivindicou oficialmente a operação.

No mês passado, em suas memórias, o ex-presidente americano George Bush também constatava que Israel tinha lhe pedido para atacar o reator sírio, mas que "atuou segundo achou conveniente" para os interesses dos EUA.

*Com AFP e EFE

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