WikiLeaks: EUA financiaram movimentos pró-democracia no Egito

Documentos diplomáticos americanos afirmam que investimento em ONGS egípcias 'irritou' governo de Mubarak

iG São Paulo |

Os Estados Unidos financiaram uma série de organizações pró-democracia no Egito, de acordo com documentos diplomáticos americanos divulgados pelo site WikiLeaks e publicado pelo jornal norueguês "Aftenposten".

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, dia de caos no Egito, onde milhares protestam contra o presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Os Estados Unidos têm no Egito seu mais próximo aliado árabe, mas cobraram reformas e respeito ao direito de protesto .

De acordo com um telegrama diplomático de 6 de dezembro de 2007, a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) planejava investir US$ 66,5 milhões em 2008 e US$ 75 milhões em 2009 em grupos egípcios de promoção da democracia.

Outro documento da embaixada americana em Cairo, de 9 de outubro do mesmo ano, afirma que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, "é profundamente cético quanto ao papel dos Estados Unidos na promoção da democracia". "De qualquer forma, os programas (do governo americano) estão ajudando a estabelecer instituições democráticas e fortalecer vozes individuais que pedem por mudança", diz o texto.

Este segundo documento publicado pelo "Aftenposten" afirma que o dinheiro foi direcionado a programas do próprio governo egípcio, mas, também, a programas de ONGS egípcias e americanas.

Um terceiro documento, de 28 de fevereiro de 2008, afirma que o ministro egípcio da Cooperação Internacional, Fayza Aboulnaga, enviou uma carta à embaixada americana no Cairo pedindo que a Usaid deixasse de financiar dez organizações que "não foram devidamente registradas como ONGs".

sEGAinda segundo o jornal norueguês, um quarto telegrama afirma que o filho de Mubarak, Gamal, tido como seu provável sucessor, estaria "irritado com o financiamento de ONGs egípcias por parte dos Estados Unidos". Este quarto telegrama seria de 20 de outubro de 2008.

Outros documentos diplomáticos americanos divulgados pelo WikiLeaks afirmaram que os Estados Unidos fizeram repetidos pedidos ao Egito para que promovesse reformas políticas e respeitasse os direitos humanos.

Mubarak argumentava que qualquer abertura política daria força ao grupo conhecido como Irmandade Muçulmana, e dizia que "não iria tolerar" a existência de partidos com agenda religiosa.

Protestos

O Egito vive uma onda de manifestações sem precedentes desde terça-feira. Milhares de egípcios lotam as ruas do Cairo e de outras nove cidades em protesto contra o presidente Mubarak.

Mubarak impôs um toque de recolher entre às 18h desta sexta-feira e às 7h de sábado (14h de sexta e 3h de sábado em Brasília) e incumbiu o Exército de se unir à polícia nos esforços de segurança para coibir as marchas contra seu governo. Inicialmente imposto no Cairo, na cidade portuária de Alexandria e em Suez, mais tarde o toque de recolher foi estendido para todas as cidades do país.

O anúncio foi feito pouco depois de autoridades das forças de segurança do Egito informarem que o opositor egípcio Mohamed ElBaradei, Prêmio Nobel da Paz em 2005 e ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), está sob prisão domiciliar. A polícia lhe informou que ele não pode deixar sua residência no Cairo depois de ter participado das manifestações.

Com AFP

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