Documentos do site divulgados pela Folha de S.Paulo nesta terça apontam ministro da Defesa Nelson Jobim como 'confiável'

Correspondência de diplomatas americanos vazada pelo site WikiLeaks indicam que Washington considera que o Brasil adota uma "inclinação antiamericana", segundo noticionou nesta terça-feira a Folha de S. Paulo.

De acordo com o jornal brasileiro, a íntegra de seis documentos com essa informação serão publicados nesta terça-feira no site, que teve acesso a 1.947 telegramas diplomáticos enviados pela embaixada americana em Brasília entre 1989 e 2010.

Segundo o WikiLeaks, desse total, 54 são classificados como secretos e 409 como confidenciais. Além da documentação de Brasília, há 12 do consulado de Recife, 119 do Rio de Janeiro e 778 de São Paulo. Os documentos fazem parte de mais de 250 mil telegramas diplomáticos a que o site teve acesso e começou a vazar no domingo.

Em correspondência datada de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata um almoço que teve com o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, mantido no cargo pela presidente eleita Dilma Rousseff e descrito como "talvez um dos mais confiáveis líderes do Brasil".

No almoço, o ministro teria dito a Sobel que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, "'odeia os EUA' e trabalha para criar problemas na relação (entre os dois países)".

Ainda de acordo com a Folha, ao mencionar um acordo bilateral, Sobel afirma que o presidente Lula terá de decidir entre as posições de um "inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional".

Em outra correspondência, datada de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty atuou para restringir a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA. Ao referir-se à viagem (em março de 2008), os EUA afirmam: "Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema."

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