De acordo com documentos secretos que serão divulgados pelo site, 63% dos mortos entre 2003 e 2009 eram civis iraquianos

Ao menos 109 mil pessoas, 63% civis, morreram no Iraque do início da invasão americana, em março de 2003, até o final do conflito, em 2009, segundo documentos secretos dos Estados Unidos divulgados pelo site Wikileaks e pela rede de televisão Al Jazeera.

Segundo o site Wikileaks, o Exército americano "encobriu" torturas no Iraque e causou a morte de centenas de civis em seus postos de controle militar, após a invasão americana de 2003, que derrubou Saddam Hussein.

"Os documentos confidenciais obtidos pelo Wikileaks revelam que as forças americanas possuíam um balanço sobre os mortos e feridos iraquianos, mesmo quando o negavam publicamente", afirmou a rede de televisão do Qatar. Tais documentos "mostram que o conflito causou 285 mil vítimas, entre elas ao menos 109 mil mortos" entre 2003 e o fim de 2009, segundo as mesmas fontes. Dentre os mortos, 63% eram civis.

No dia 15 de outubro, foi anunciado que o governo americano havia disponibilizado dados que apontavam a morte de cerca de 77 mil iraquianos entre janeiro de 2004 e agosto de 2008, um período que abrange o capítulo mais sangrento da guerra que durou sete anos.

Os números sobre esse período foram divulgados discretamente no site do Comando Central americano no final de julho, mas chegaram à mídia apenas há algumas semanas.

De acordo com os dados, 63.185 civis iraquianos e 13.754 membros das forças de segurança iraquianas morreram durante o período, o que inclui os anos mais violentos do conflito, 2006 e 2007. Pelo menos 121.649 civis iraquianos e forças de segurança ficaram feridos, de acordo com o informe, enquanto 3.592 soldados da coalizão foram mortos.

O banco de dados público Iraq Body Count aponta que o número de civis mortos desde 2003 varia de 98.252 e 107.235.

Afeganistão

Especializado em divulgar documentos sigilosos, o Wikileaks já havia revelado em julho mais de 70 mil arquivos secretos dos EUA relativos à guerra do Afeganistão. O novo lote, bem maior, diz respeito exclusivamente ao conflito do Iraque.

Os dois vazamentos representam a maior violação de sigilo desse tipo na história militar americana. O Wikileaks tem sofrido várias críticas do Pentágono, que acusa o site de colocar em risco a integridade dos soldados americanos e de seus colaboradores em regiões de conflito.

"Deploramos o Wikileaks por induzir indivíduos a violarem a lei, a vazarem documentos sigilosos e então arrogantemente compartilhar essa informação secreta com o mundo", disse Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono.

Segundo o jornal britânico Guardian e a TV árabe Al Jazeera, o material mostra que as forças dos EUA fizeram vista grossa à violação de direitos humanos dos iraquianos. O Guardian relatou também um caso em que um policial baleou um prisioneiro na perna, e que depois disso o detento sofreu abusos que resultaram em costelas fraturadas, múltiplas lacerações e marcas por causa de golpes dados com um bastão e uma mangueira em suas costas. "O resultado: nenhuma investigação adicional", escreveu o Guardian.

Segundo o New York Times, "embora alguns casos de abusos tenham sido investigadores pelos americanos, a maioria parece ter sido ignorada".

*Com Reuters e AFP

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