Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Watergate: Mark Felt, a fonte anônima mais famosa da América

Mark Felt, o informante dos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward (a dupla que revelou o escândalo do Watergate), que acaba de falecer, aos 95 anos, era um agente modelo do FBI, disposto a tudo para defender sua casa, incluindo agir contra a Casa Branca, de Richard Nixon.

AFP |

Felt, apelidado de "Garganta profunda" ("Deep throat") e conhecido como "a fonte anônima mais famosa da História americana", faleceu ontem, na Califórnia, anunciaram sua família e o jornalista Bob Woodward nesta sexta-feira.

Depois de ter a identidade revelada na revista "Vanity Fair", em 2005, Felt disse nunca ter se considerado um herói e que quis apenas "dar (sua) contribuição". Durante 33 anos, ele guardou segredo sobre seu papel no Watergate. Nem sua família sabia. "Não, eu não tentei tirar o presidente, apenas fazer meu dever", explicou.

Segundo vários jornais, na época do arrombamento dos escritórios do Partido Democrata no prédio do Watergate, em Washington, Mark Felt, número 2 da Polícia Federal americana (FBI), não gostava do controle que a Casa Branca tentava exercer sobre o órgão.

Protegido do lendário diretor do FBI Edgar Hoover, que o fez subir alguns degraus em uma organização ciumenta de seu poder, Mark Felt queria suceder-lhe após sua morte, em maio de 1972, apenas um mês antes da explosão do Watergate.

No livro "The FBI pyramid" ("A pirâmide do FBI"), publicado em 1979, Mark Felt reconhecia sua vontade de assumir o posto de Hoover. Ambição frustrada, já que o presidente republicano Richard Nixon nomeou de imediato o chefe dos Serviços jurídicos da Casa Branca, Patrick Gray.

Nascido em 17 de agosto de 1913, em Twin Falls, no estado de Idaho (noroeste), Mark Felt teve uma trajetória linear no FBI, no qual trabalhava desde 1942. De boa aparência, usando óculos enormes, era conhecido por sua boa vontade de falar com a imprensa, assim como por sua predileção por uísque. Mas não fumava, diferentemente da descrição do "Garganta profunda" feita por Bernstein e Woodward em seu famoso livro "Todos os homens do presidente".

Segundo a "Vanity Fair", ele se sobressaiu lutando contra uma máfia de Kansas City (centro), antes de ocupar vários cargos na sede central do FBI. "Felt dominava a arte dos memorandos concisos, estritamente factuais, adequados para seduzir o meticuloso Hoover", escreve a revista, acrescentando que "Felt acabou se assumindo como a consciência do FBI".

De acordo com matéria publicada na revista "The Atlantic Monthly", em 1992, Woodward, um ambicioso jornalista de 29 anos, manteve contato com Felt desde janeiro de 1972, para uma investigação sobre um caso de corrupção na polícia de Washington. Pouco depois, Woodward multiplica os furos sobre a tentativa de assassinato do candidato racista à presidência George Wallace, com uma fonte muito bem informada.

Quando explode o Watergate, Woodward continua a procurar esse mesmo informante. "O número 2 do FBI até que não era mau como fonte", comentou o lendário editor-chefe do jornal "Washington Post" da época, Ben Bradlee.

Furiosa, a Casa Branca procura a origem das informações, com freqüência, fornecidas durante encontros noturnos em estacionamentos. Mark Felt sempre negou que fosse o informante. Ao mesmo tempo, ele aparece entre os figurões do FBI que protestam contra os obstáculos da presidência à investigação.

Em 1973, Felt acaba deixando o órgão, dando início a uma aposentadoria de 35 anos. O escândalo do Watergate levou, em agosto de 1974, à renúncia de Nixon, a primeira de um presidente americano.

chr/ccd/tt

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG