Washington se aproxima de Damasco num momento em que o Irã vai mal

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a decisão de enviar novamente Síria uma delegação diplomática, após quatro anos de frieza no relacionamento entre os dois países, num momento em que o regime iraniano, principal aliado de Damasco, aparece enfraquecido por uma contestação inédita nas ruas.

AFP |

"Desejamos ir adiante com a Síria para fazer progredir nossos interesses de um diálogo direto e contínuo", declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, durante entrevista à imprensa.

"Vocês sabem que o papel da Síria na região nos preocupa e achamos que um dos meios de responder a essas preocupações é ter um embaixador em Damasco", acrescentou.

O porta-voz da embaixada da Síria em Washington, Ahmed Salkini, confirmou que a entidade havia sido informada da decisão, de maneira oficiosa.

"É inegavelmente um passo no bom caminho e inegavelmente um sinal de sinceridade da parte do governo Obama em relação a um diálogo com a Síria", declarou à AFP.

Os Estados Unidos haviam chamado seu embaixador em Damasco após o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri em 2005, após o regime sírio ter sido apontado como culpado. A embaixada ficou aberta, a partir daí, dirigida por um encarregado de negócios.

Mas, desde sua posse em janeiro de 2009, o novo governo de Barack Obama assumiu contatos diplomáticos prudentes com a Síria, descrita por George W. Bush como um "Estado marginal" mas na qual o novo presidente americano vê uma das chaves da paz no Oriente Médio.

"Esta decisão reflete o reconhecimento, pelo governo, do papel importante que a Síria desempenha na região", informou Kelly. "Esperamos, certamente, que continue a desempenhar um papel construtivo na promoção da paz e da estabilidade na região", concluiu.

O emissário americano para o Oriente Médio, George Mitchell, foi no dia 14 de junho a Damasco para encontrar o presidente sírio Bachar al-Assad. Qualificou a reunião de "séria e produtiva", lembrando que "o objetivo do presidente (Obama) sempre foi, desde o começo, uma paz global na região".

O anúncio acontece também num momento no qual o principal aliado da Síria, o Irã, está confrontado a um movimento de protesto popular após uma eleição presidencial contestada.

Segundo o articulista do Washington Post, David Ignatius, o governo americano considera que as manifestações no Irã mudaram a posição das cartas na mesa.

As relações americano-sírias se degradaram após a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003. Damasco interrompeu, então, a cooperação em matéria de segurança com os Estados Unidos.

Washington, em seguida, impôs sanções econômicas à Síria a partir de 2004, acusando Damasco de apoiar o terrorismo.

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