Washington, 24 ago (EFE).- O editorial do jornal americano The Washington Post afirmou hoje que é fácil demais para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pôr o Governo do presidente Barack Obama na defensiva, contando com o apoio de outros países latino-americanos para conseguir isso.

"No mês passado Chávez ficou em evidência como fornecedor de armamento avançado para um grupo terrorista que quer derrubar o Governo democrático da Colômbia", acrescentou o artigo, em referência ao suposto fornecimento de armas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além disso, "em seu próprio país fechou 32 rádios independentes, a Assembleia Nacional (que ratifica suas decisões) aprovou leis que redistribuem os distritos eleitorais para as eleições do ano que vem e que eliminam a autonomia das universidades", continuou.

Segundo o jornal americano, o líder venezuelano "prometeu que comprará dúzias de tanques de guerra da Rússia e tem programado uma viagem a Teerã no mês que vem para fortalecer seu respaldo ao afligido presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad".

"De modo que, naturalmente, os governantes latino-americanos planificam uma reunião este mês na Argentina para discutir de maneira urgente (...) sobre um acordo sem maior importância entre EUA e Colômbia para que as forças americanas usem algumas bases militares colombianas em operações contra o tráfico de drogas e o terrorismo", assinalou o editorial.

O acordo bilateral ainda não foi assinado nem se divulgaram oficialmente seus detalhes embora as negociações tenham sido feitas na semana passada.

No entanto, de acordo com o jornal, "está perfeitamente claro que não causará um aumento significativo das operações militares dos EUA na América Latina nem representa uma ameaça para ninguém que não seja traficante de drogas e terrorista das Farc, o grupo que Chávez apóia em clara violação das resoluções das Nações Unidas e a carta da Organização dos Estados Americanos".

A preocupação que o diário percebe entre os governantes latino-americanos "surge, em parte, da suspeita dos esquerdistas sobre qualquer iniciativa americana na região".

"Mas a controvérsia reflete, mais que nada, em outro esforço bem-sucedido de Chávez para desviar a atenção de sua própria conduta enquanto põe o Governo de Obama na defensiva", acrescentou o editorial.

Ainda segundo o editorial do Washington Post, desde que se conheceram os primeiros relatórios sobre o acordo, "o caudilho venezuelano esteve cacarejando sobre 'os ventos de guerra' que supostamente sopram na América do Sul devido às novas 'bases gringas' que, segundo ele, têm o propósito de uma invasão ao seu país".

"Não deveria ser muito difícil refutar tal insensatez mas a resposta do Governo de Obama foi tardia e débil", criticou o jornal.

EFE jab/fk

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