Washington: Coréia do Norte ajudou Síria a construir reator nuclear

A Coréia do Norte ajudou a Síria a construir um reator nuclear capaz de produzir plutônio para fins militares, acusou a Casa Branca em comunicado nesta quinta-feira.

AFP |

O texto diz ainda que a Síria deve dar explicações sobre sua suposta cooperação secreta com os norte-coreanos.

É a primeira vez que o governo americano confirma publicamente suspeitas persistentes de um misterioso bombardeio por parte da aviação israelense, no dia 6 de setembro de 2007, contra este reator construído pela Síria.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, destacou que os Estados Unidos vão zelar para estabelecer um "mecanismo de verificação rigorosa para se assegurar que um tal comportamento e que as outras atividades nucleares (da Coréia do Norte) tenham cessado".

"O regime sírio deve esclarecer aos olhos do mundo suas atividades nucleares ilegais", disse ela.

A embaixada síria em Washington reagiu negando "veementemente" as acusações: "O governo da República Árabe da Síria lamenta e aponta a campanha de denúncias falsas continuamente lançadas pela atual administração americana contra a Síria, que afirma a presença de atividade nuclear" no território sírio.

Damasco "nega veementemente essas acusações e apela aos Estados Unidos para que aja de maneira responsável e pare de provocar novas crises no Oriente Médio, que já sofre resultados e conseqüências dos fracassos americanos na região".

Segundo o embaixador da Síria nos Estados Unidos, Imad Mustapha, funcionários do departamento de Estado lhe "contaram uma história ridícula sobre um suposto projeto nuclear da Síria".

"Vi fotos de satélites ridículas de uma construção no deserto sírio que afirmaram ser um reator nuclear. Disse que era absurdo e estúpido. Não havia sequer um guarda de segurança, nem uma simples cerca".

O especialista em controle de armas dos Estados Unidos, John Rood, informou sobre a investigação de inteligência do Pentágono ao diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohammed El Baradei, horas antes de ser apresentada ao Congresso americano, nesta quinta-feira, disse à AFP um funcionário, que pediu para não ser identificado.

Washington pode levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, destacou o mesmo funcionário.

Segundo agentes da inteligência americana, o reator nuclear estava quase pronto para operar quando foi destruído, no ano passado, em um ataque israelense.

"Concluímos que o reator estava completo e que poderia ter entrado em operação a qualquer momento", disse um funcionário americano de inteligência à imprensa.

Outro funcionário americano confirmou que o "reator foi destruído por um ataque aéreo israelense na madrugada de 6 de setembro de 2007, quando estava quase completo, mas antes que pudesse ser carregado de urânio".

Um terceiro funcionário garantiu que os Estados Unidos jamais deram sinal verde a Israel para atacar o reator nuclear.

O funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que os Estados Unidos discutiram "opções" com Israel, em relação à evidência de que a Síria estava construindo o reator com fins militares, e "Israel considerou o reator nuclear sírio uma ameaça existencial ao Estado Hebreu".

"Depois dessas discussões, em definitivo, Israel tomou sua própria decisão de agir. Fez isso sem receber sinal verde de nossa parte. Nem nos pediu, nem nós demos", garantiu o funcionário.

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