Washington começa a receber representantes do G20 para cúpula

Teresa Bouza. Washington, 13 nov (EFE).- Os chefes de Estado e de Governo do Grupo dos 20 (G20, que reúne países ricos e os principais emergentes) começam a chegar hoje a Washington para a cúpula deste fim de semana, na qual pretendem iniciar uma reforma que ponha fim à crise financeira global.

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Entre os primeiros a chegar deve estar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aterrissará em Washington no final da tarde e manterá amanhã várias reuniões bilaterais, entre elas com a chefe de Estado argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

Fontes da delegação da Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia) em Washington disseram à Agência Efe que a maioria dos líderes europeus chegará amanhã à capital, após participar de uma cúpula entre o bloco europeu e a Rússia, na França.

O primeiro ato oficial será um jantar de Estado amanhã, na Casa Branca, seguido pela cúpula, no sábado, no National Building Museum, na capital americana.

Em meio à expectativa da chegada dos líderes, crescem especulações de várias partes do mundo sobre as reais possibilidades de que essa reunião ponha fim à crise global.

Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush disse hoje que "os líderes que participarão da reunião deste fim de semana estão de acordo em um objetivo claro: fazer frente à atual crise e firmar as bases para as reformas que previnam uma crise similar no futuro".

No entanto, ele reiterou que se trata de uma tarefa grande demais para ser alcançada em uma só discussão.

"A cúpula será a primeira de uma série", lembrou Bush, que entregará em 20 de janeiro o cargo a Barack Obama, que decidiu não participar do encontro porque, segundo ele, "só há um presidente".

Os EUA se mostraram mais reticentes de que seus parceiros europeus possam iniciar maiores regulações, algo que Bush deixou claro no texto de seu discurso de hoje sobre os mercados financeiros e a economia global.

"Alguns culpam a regulação insuficiente no mercado imobiliário americano pela crise, mas muitos europeus tinham regulações muito mais amplas e mesmo assim experimentaram problemas quase idênticos aos nossos", afirmou.

Segundo ele, o problema é que as regulações estavam defasadas e a gestão do risco era inadequada.

E enquanto Bush tentava diminuir as expectativas do encontro, o assessor do Kremlin Arkadi Dvorkóvich insistia hoje em uma conferência telefônica sobre a necessidade de uma ação conjunta do G20 para estabilizar os mercados.

Em Tóquio, o vice-ministro japonês das Finanças, Kazuyuki Sugimoto, apontou que as autoridades discutirão durante o fim de semana "quais serão as medidas econômicas e monetárias apropriadas para combater a crise financeira".

De acordo com ele, "é importante reforçar os laços com outros países para superar a crise financeira".

Barry Eichengreen, professor de economia e ciências políticas da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse à Agência Efe que "não é realista" pensar que se pode alcançar um consenso no sábado sobre um novo sistema financeiro multilateral.

Ele destacou, de todos modos, a necessidade de que sejam alcançadas algumas medidas concretas, como pacotes de estímulo fiscal, sobretudo nos EUA, e a concessão de mais recursos financeiros para o Fundo Monetário Internacional (FMI), de modo a permitir que dê empréstimos a países em crise.

O FMI tem acesso a US$ 250 bilhões, um número que, segundo Eichengreen, não é mais que uma pequena gota "no oceano de liquidez global".

Entre os assuntos sobre a mesa de negociações estará também a situação das agências de classificação de risco, que puseram o selo de qualidade em ativos que, mais tarde, demonstraram ser lixo.

Fora isso, está previsto que o G20 discuta a possibilidade de uma maior regulação para os fundos de alto risco, proponha mais cooperação entre os supervisores financeiros globais, aborde o caso dos paraísos fiscais e tente ressuscitar as negociações comerciais da Rodada de Doha.

O G20 é integrado por UE, Grupo dos Sete (G7, formado por EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), Coréia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia.

A convite da França, também estarão presentes Espanha e Holanda.

EFE tb/rr

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