Vulcão islandês instala caos no tráfego aéreo europeu

A nuvem de cinzas expelida pela erupção de um vulcão subterrâneo sob a geleira Eyjafjälla, no sul da Islândia, forçou vários países europeus a fechar o espaço aéreo e a cancelar voos em todo o continente, deixando milhares de passageiros em terra.

iG São Paulo |

Segundo dados do Eurocontrol, a agência responsável pela segurança aérea na Europa, 25% de todo o tráfego aéreo foi suspenso. Inicialmente, a informação era de que 15% dos voos haviam sido cancelados .

Noruega, Grã-Bretanha, Irlanda e Dinamarca fecharam seu espaço aéreo salvo para casos de emergência, enquanto as autoridades suecas já anunciaram que também tomarão a mesma ainda nesta quinta-feira.

Segundo o Serviço de Controle do Tráfego Aéreo Nacional (NATS), o espaço aéreo britânico permanecerá fechado "pelo menos" até as 6 horas de sexta-feira (3 horas em Brasília), com exceção dos voos de emergência.

AP
Passageiro espera abertura de guichês em aeroporto em Belfast

Passageiro espera abertura de guichês em aeroporto em Belfast

A França informou que manterá fechados 24 de seus aeroportos ao longo do dia, entre eles os três de Paris. As restrições parciais afetaram também Bélgica e Finlândia, assim como outros aeroportos europeus de forma indireta.

Nos EUA, dezenas de voos que tinham previsto sair de Nova York e outras grandes cidades com destino à Europa foram cancelados ou desviados por causa da ameaça das cinzas.

Perigo

Elas contêm partículas que podem afetar o funcionamento das turbinas dos motores dos aviões e absorvem facilmente água, o que pode causar curto-circuitos e estragar peças eletrônicas.

Especialistas dizem também que as cinzas, além de prejudicar a visibilidade, podem diminuir a estabilidade das aeronaves ao depositar-se sobre as asas.

As autoridades aéreas da Europa demonstram cautela para autorizar voos perto de erupções vulcânicas por causa de incidentes passados. Em 1982, um jumbo 747 da British Airways teve as quatro turbinas paralisadas após voar por uma coluna de fumaça vulcânica.

Um incidente quase igual ocorreu em 15 de dezembro de 1989, quando o voo 867 da KLM, que seguia de Amsterdã para Anchorage, no Alasca, voou por uma nuvem de fumaça da erupção do Monte Redoubt, fazendo com que os quatro motores parassem.

Depois que o avião saiu da nuvem, a tripulação conseguiu reiniciar o motor e fazer um pouso seguro em Anchorage, mas o avião ficou gravemente danificado.



Nem o Eurocontrol nem as autoridades de cada país deram um prazo concreto para o fim das restrições. A ministra de Transportes norueguesa, Magnhild Meltveit Kleppa, confirmou que seu espaço aéreo permanecerá fechado durante a sexta-feira.

As restrições prejudicaram milhares de passageiros em toda a Europa, incluindo no aeroporto com maior tráfego do continente, o de Heathrow, em Londres, que tem 1,3 mil voos diários.

Entre os prejudicados estão personalidades como o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, o príncipe Haakon da Noruega e o chanceler sueco, Carl Bildt, assim como membros da realeza europeia que tinham previsto ir a Copenhague para o aniversário da rainha Margrethe II.


Nuvem de cinzas de vulcão na Islândia atrapalha o tráfego aéreo na Europa / AP

Situação na Islândia

Enquanto boa parte do norte da Europa se viu afetado pelo caos no tráfego aéreo, na Islândia, origem da erupção, as restrições no setor foram limitadas e o aeroporto internacional de Keflavik continua aberto.

Keflavik está a oeste da geleira Eyjafjalla, enquanto as cinzas se espalham na direção leste e sudeste. A situação na Islândia, uma ilha vulcânica onde acontecem erupções a cada três anos em média, é de relativa calma.

Muitas das 800 pessoas que moram em áreas próximas ao vulcão já voltaram para casa, embora as autoridades acompanhem de perto a evolução da atividade e não descartem novas retiradas.

A Direção de Saúde da Islândia pediu que a população permaneça em casa e não saia salvo por motivos de extrema necessidade. Nesse caso, recomendou o uso de máscaras para evitar os gases tóxicos.

O aviso foi dirigido a toda a população e não só à que reside em zonas próximas ao vulcão, por causa da impossibilidade de prever com exatidão mudanças na direção do vento. As máscaras serão distribuídas de graça em postos de saúde.

A corrente de lava misturada com gelo derretido da geleira provocou um aumento do nível de água de 1 a 2 metros em um rio próximo a Eyjafjalla, o que obrigou as equipes de resgate a abrir valas nos caminhos para evitar danos em pontes.

Especialistas calculam que a erupção é dez vezes superior à do vulcão Fimmvorduhals, que aconteceu no final de março e terminou na semana passada.

O maior temor é de que as erupções sejam uma antecipação da explosão do vulcão Katla, de maior potência, como ocorreu várias antes.


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*Com EFE

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