Vulcão entra em erupção no Chile, obrigando retirada de moradores

(Acrescenta declarações de diretora do Escritório Nacional de Emergência) Santiago do Chile, 19 fev (EFE).- O vulcão Chaitén, cerca de 1,2 mil quilômetros ao sul de Santiago do Chile, voltou a entrar em atividade, obrigando cerca de 250 habitantes, que haviam voltado ao povoado nas últimas semanas, a deixarem-no novamente, informaram as autoridades chilenas.

EFE |

"Ordenamos a evacuação completa do povoado de Chaitén. Isso é mais uma comprovação do risco iminente que temos na região. (O vulcão) é uma bomba-relógio", afirmou o subsecretário do Ministério do Interior chileno, Patrício Rosende.

Segundo moradores, o vulcão entrou em erupção às 11h30 (mesmo horário de Brasília) de hoje, acompanhado por terremotos, intenso barulho vindo do subsolo e uma coluna de fumaça e cinzas.

Autoridades da região de Los Lagos, onde fica o Chaitén, sobrevoarão a área durante uma hora para avaliar a situação e verificar se o cume ficou deformado, informou a diretora do Escritório Nacional de Emergência (Onemi), Carmen Fernández.

"Houve um aumento da erupção, a coluna de fumaça subiu a uma altura quatro ou cinco vezes superior à que havia", disse Fernández, acrescentando que cerca de 140 pessoas foram retiradas por via marítima para uma área segura.

"Fomos repetitivos e categóricos: o processo de erupção não parou. Houve momentos em que diminuiu, mas não parou, por isso decretamos o alerta vermelho", disse a diretora do Onemi, acrescentando que algumas pessoas resistiram hoje à desocupação.

"As pessoas não pode ficar nesse lugar. Ainda não precisamos usar a força para que saiam, mas sabemos que há crianças. Pedimos às pessoas que estão em Chaitén que, por favor, saiam dali", insistiu.

Fernández explicou que se descobriu gente em diferentes pontos da cidade e que outras pessoas foram chegando, bastando para isso a coluna de cinzas diminuir um pouco.

"Pela 'enésima' vez carabineiros (policiais) estão contando as pessoas que permanecem ali e insistindo para que saiam, mas é um número extremamente variável de pessoas que vêm e voltam. Apelamos, por todo o sentido de humanidade, para que saiam da cidade", reiterou.

Em 2 de maio de 2008, o vulcão Chaitén entrou em atividade, após ficar parado por quase 10 mil anos, obrigando a evacuação total - em alguns casos, à força - dos moradores que viviam perto dele.

Os moradores foram levados para cidades próximas, como Castro, Osorno e Puerto Montt, mas, nas últimas semanas, um grupo de 250 pessoas voltou para suas casas junto ao vulcão, apesar de elas terem ficado praticamente destruídas devido à chuva de cinzas e à água e lama de um rio próximo que transbordou com a erupção.

O Governo anunciou em 29 de janeiro que não investiria dinheiro na reconstrução do povoado porque o transferiria a outra localização, por medida de segurança, o que desagradou parte de seus 4 mil habitantes.

"A qualquer momento, o vulcão pode entrar em atividade; isto demonstra que os relatórios da Universidad Católica e das entidades que participaram da avaliação do que ocorre em Chaitén são, efetivamente, os que o Governo anunciou", ressaltou Rosende hoje.

EFE mc/jp

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