Vulcão chileno estaria em fase crítica, diz especialista

Por Antonio de la Jara PUERTO MONTT, Chile (Reuters) - O vulcão chileno Chaitén ingressou em uma fase crítica ao completar, na quinta-feira, uma semana de atividade, tendo expelido cinzas que chegaram a alcançar até mesmo Buenos Aires, capital da Argentina.

Reuters |

Luis Lara, vulcanólogo do Serviço Nacional de Geologia e Minas (Sernageomin), disse à Reuters que os vulcões com características semelhantes às do Chaitén, como o Pinatubo, das Filipinas, não passaram de sete dias de atividade constante.

O Pinatubo entrou em erupção em 1991, após séculos de inatividade, e seu fluxo piroclástico e de lava destruiu milhares de casas.

'Uma coluna eruptiva com essas características está ultrapassando seu ponto de equilíbrio e deve estar perto do momento em que entrará em colapso de uma vez ou gradualmente', afirmou Lara. 'Cada dia que passa, a situação fica mais crítica', acrescentou.

Essa informação foi repassada ao governo chileno, que ordenou a retirada de todas as pessoas localizadas em um raio de 50 quilômetros do vulcão e usou até mesmo a força para afastar os moradores que se recusavam a deixar suas casas e animais, sobretudo no povoado de Chaitén, localizado a 10 quilômetros do vulcão.

'O risco não é de que chegue lava, mas de que cheguem correntes piroclásticas, que são muito mais velozes e destrutivas', afirmou Lara.

Em Puerto Montt, onde o governo instalou seu centro de operações a fim de monitorar o vulcão e dar ajuda aos retirados, as reuniões entre as autoridades sucedem-se sem parar.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, deve desembarcar na cidade na tarde de sexta-feira.

Enquanto o Chaitén continua em atividade, aumentam as incertezas entre os retirados da zona de emergência, que permanecem em albergues ou na casa de familiares, sem saber ainda quando poderão voltar para seus lares.

'Já faz vários dias que estamos aqui e ninguém nos diz como está o Chaitén. Estou desesperada. Aqui a gente não sabe de nada. Não podemos ficar assim', afirmou à Reuters Iluminada Ide, em Puerto Montt.

A única coisa que se sabe claramente, por enquanto, é que essas pessoas não poderão voltar agora para sua terra, hoje coberta pelas cinzas do vulcão, e nem para suas casas, que abandonaram de forma relutante, em uma operação sem precedentes no Chile.

As autoridades não descartaram a possibilidade de mudar o povoado de Chaitén de lugar.

'Em um mundo ideal, eu levaria esse povoado para um lugar mais seguro', afirmou Lara.

Mas não apenas os chilenos foram afetados pela enorme coluna de cinzas formada sobre o vulcão. As emanações dele atingiram várias áreas da Argentina, entre elas Buenos Aires.

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