Voto negro deve ajudar Obama em Estados estratégicos

Os negros devem ter nesta eleição um comparecimento recorde às urnas, e isso pode contribuir fortemente para a vitória do democrata Barack Obama em alguns Estados-chave.

Reuters |

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  • Os negros constituem cerca de 12 por cento do eleitorado e são o grupo étnico mais fiel ao Partido Democrata, embora historicamente seu comparecimento às urnas seja inferior à média (o voto nos EUA é facultativo).

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    Obama discursa para seus eleitores
    Neste ano, as pesquisas mostram que mais de 90 por cento dos eleitores negros devem marcar o nome de Obama, em parte por solidariedade racial com o candidato, que pode se tornar o primeiro presidente afro-americano da história dos EUA.

    "Há todas as indicações de que o comparecimento negro em 2008 vai superar todos os registros existentes, nacionalmente e nos Estados individualmente", disse nesta semana um relatório do Centro Conjunto para os Estudos Políticos e Econômicos.

    Isso pode influenciar o resultado em Estados onde há um eleitorado negro significativo, como Flórida, Virgínia, Carolina do Norte e Indiana, mas analistas dizem que ainda não está claro se apenas o voto negro seria capaz de influenciar o resultado em determinado Estado.

    Obama, filho de um negro do Quênia com uma branca do Kansas, tem uma vantagem significativa sobre o republicano John McCain nas pesquisas nacionais de opinião e nos Estados onde a disputa é mais acirrada. A eleição é no próximo dia 4.

    Fazer história

    Bill Craven, 51 anos, dono de uma loja de móveis de escritório em Norcorss, Geórgia, disse estar ansioso para eleger um negro como presidente.

    "Isso é positivo, porque ele vai fazer história", disse Craven, que não obstante diz não ter sido influenciado pela questão racial na sua decisão -- ele acha que McCain manterá as políticas de George W. Bush, em quem votou em 2000 e 2004, mas depois se desiludiu.

    Mas alguns democratas temem que as grandes disparidades de saúde, educação e renda entre negros e brancos afetem a votação em Obama. Eles receiam que o otimismo com as pesquisas esteja exagerado, e lembram que em 1982 um político negro perdeu a eleição para o governo da Califórnia, depois de liderar as pesquisas -- aparentemente porque os eleitores, quando entrevistados, tinham vergonha de dizer que não votariam num negro.

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    Obama durante debate com McCain

    Em geral, raramente os candidatos privilegiam um grupo étnico. Preferem lançar plataformas abrangentes, para todas as classes, raças, religiões e áreas geográficas.

    Mas a maioria dos negros vota nos democratas por se identificar com suas políticas sociais e por questões históricas -- foi num governo democrata, na década de 1960, que os EUA adotaram leis que aboliram a segregação institucional.

    "Esse pode ser o caminho pelo qual a raça ajudaria (Obama), como fator mobilizador entre os afro-americanos", disse Michael Dimock, diretor-associado do Pew Research Center.

    Um sinal da redução da abstenção entre negros é a votação antecipada, já iniciada em diversos Estados.

    Na Geórgia, que tradicionalmente vota em republicanos para presidente, cerca de 35 por cento das pessoas que foram antecipadamente às seções eleitorais são negros, segundo as autoridades locais.

    Isso reflete a estratégia de conclamar o eleitorado a votar antecipadamente onde isso é possível, segundo Jon Carson, diretor nacional de campo da campanha de Obama. Ele disse que não há um esforço específico para levar o eleitorado negro às urnas.

    Os negros foram o grupo mais propenso a enfrentar problemas que os impedissem de votar em 2004, segundo David Bositis, do Centro Conjunto para os Estudos Políticos e Econômicos.

    Ele citou exemplos isolados de intimidação de eleitores em 2004, assim como a falta de equipamentos em algumas seções eleitorais de bairros eminentemente negros.

    "Em comparação com a última vez, há significativamente mais afro-americanos votando antes", disse Bositis, para quem esta eleição tem um "significado especial".

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