Voos são cancelados na Europa pelo segundo dia por causa de nuvem vulcânica

Os voos da Europa ainda devem sofrer as consequências da nuvem de cinzas expelidas por um vulcão na Islândia pelo menos até sábado, disse nesta sexta-feira a Agência Europeia para a Segurança na Navegação Aérea (Eurocontrol). A entidade disse em comunicado que cerca de 17 mil voos foram cancelados nesta sexta no espaço aéreo europeu, causando um caos aéreo que não era visto desde os atentados do 11 de Setembro de 2001 nos EUA.

iG São Paulo |

Segundo a Eurocontrol, em dias normais, 28 mil voos são feitos pela Europa, mas nesta sexta-feira apenas 11 mil serão operados no continente. Na quinta-feira, foram realizados 20.334 voos na Europa.

"Na prática, perderemos 50% do movimento de passageiros na Europa", explicou Brian Flynn, subdiretor de operações de Eurocontrol. Ele também advertiu que a nuvem de cinzas pode se expandir durante a noite para a parte sul da Europa, que por enquanto está limpa.  

"Acho que a Europa está provavelmente experimentando a maior perturbação às viagens aéreas desde o 11 de Setembro", disse um porta-voz da Autoridade de Aviação Civil britânica. "Em termos de fechamento de espaço aéreo, é pior do que o 11 de Setembro."

Depois dos atentados de 2001 em Washington e Nova York, o espaço aéreo dos EUA passou três dias fechados, levando as empresas aéreas europeias a suspenderem todos os seus voos para o país.

Especialistas temem que as cinzas contidas na fumaça entrem nos motores do avião entupindo as turbinas. Quando isso acontece, o motor para de funcionar em pleno voo. As cinzas, no entanto, não apresentam risco grave para a saúde das pessoas.

Em 1982, um jumbo da British Airways caiu na Indonésia depois de passar numa nuvem de cinza e perder a potência das turbinas. O incidente levou o setor a rever os procedimentos quando há cinzas vulcânicas na atmosfera.

Aeroportos fechados


Passageiros observam voos cancelados em aeroporto de Bruxelas, na Bélgica / Reuters

A movimentação da nuvem de cinza expelida pelo vulcão Eyjafjalla, na Islândia, determina a abertura ou o fechamento do espaço aéreo da Europa.

Uma porta-voz da Eurocontrol, Kayla Evans, disse que vários analistas acompanham a movimentação da nuvem, que por enquanto segue para leste, para identificar quando é seguro reabrir o espaço aéreo nos diferentes países, já que "os dados mudam minuto a minuto".

Com a nuvem sendo soprada para o sul, as autoridades da República da Irlanda disseram que a maior parte do espaço aéreo local já foi liberada. Os voos, porém, seguem suspensos na Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Bélgica, Polônia, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), norte da República Checa, norte da França (incluindo Paris) e em alguns aeroportos do norte da Alemanha, da Áustria e da Polônia.

Apesar do problema, as autoridades polonesas rejeitaram adiar o funeral do presidente Lech Kaczynski e da sua esposa, Maria, que morreram no sábado em um acidente aéreo na Rússia. O sepultamento está marcado para domingo.

O órgão britânico de controle aeronáutico disse que o espaço aéreo britânico ficará fechado até a meia-noite de sábado (21 horas em Brasília), mas que certos voos oriundos de aeroportos da Irlanda do Norte e Escócia poderão decolar já a partir das 18 horas de sexta-feira (15 horas em Brasília).

O Aeroporto de Heathrow, em Londres, o mais movimentado da Europa, com cerca de 180 mil passageiros por dia, está sem decolagens. Em Frankfurt, segundo principal aeroporto europeu, funcionários disseram que os voos seriam suspensos.

Cerca de 2 mil pessoas pernoitaram no aeroporto de Schiphol, nos arredores de Amsterdã, segundo uma porta-voz. Não há previsão de reabertura do espaço aéreo holandês.

O fechamento do espaço aéreo na região oeste da Europa também causa transtornos e provoca cancelamentos de voos nos principais aeroportos brasileiros .

Companhias aéreas americanas também cancelaram voos à Europa e advertiram que outros podem ser cancelados. David A. Castelveter, porta-voz da Associação de Transportes Aéreos da América, disse que as empresas conveniadas cancelaram mais de 100 voos entre os EUA e a Grã-Bretanha na quinta-feira.

As empresas Qantas, Japan Ailines, Korean Air, Singapore Airlines e Cathay Pacific cancelaram voos vindos da Ásia e Oceania para a Europa. "Nossa opinião pessoal é de que pode demorar até domingo" para que os voos sejam retomados, disse o porta-voz da companhia australiana Qantas, David Epstein.


Homem observa situação dos voos em aeroporto de Berlim, na Alemanha / AFP

Os transtornos aéreos acabaram sendo uma dádiva para as companhias ferroviárias. Todos os 58 trens Eurostar entre Grã-Bretanha e a Europa continental operam lotados, levando cerca de 46,5 mil passageiros. Uma porta-voz disse que a empresa estuda programar viagens adicionais.

Prejuízos financeiros

Vulcanólogos dizem que, se a erupção na Islândia continuar, as cinzas podem causar problemas ao tráfego aéreo por até seis meses. Mesmo que o problema seja transitório, o impacto financeiro às empresas aéreas pode ser significativo.

Nesta sexta-feira, as ações da Lufthansa, British Airways, Air Berlin, Air France-KLM, Iberia e Ryanair registravam quedas entre 0,8% e 2,2%.

O analista Douglas McNeill disse que empresas como British Airways e Lufthansa têm prejuízos em torno de US$ 16 milhões por dia por causa dos cancelamentos de voos.

Erupção

A segunda erupção do vulcão da geleira de Eyjafjallajoekull em um mês começou na quarta-feira, lançando uma nuvem de fumaça a uma altura de 11 quilômetros na atmosfera. Uma fissura de 500 metros apareceu no topo da cratera. O calor do vulcão derreteu parte do gelo em volta, provocando enchentes na região na quarta-feira.

Cerca de 800 pessoas tiveram de deixar suas casas, mas as informações são de que, na quinta-feira, as águas tinham baixado. O vulcão, no entanto, continuou emitindo nuvens de poeira em direção à Europa.

Especialistas não sabem quanto tempo essa erupção deve durar. A última erupção vulcânica debaixo da geleira, antes desse ano, começou em 1821 e continuou por dois anos.

A Islândia é localizada em uma região propensa a erupções vulcânicas.


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* Com Reuters, AP, EFE e BBC Brasil

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