Um avião da Air France transportando 228 pessoas despareceu nesta segunda-feira no Oceano Atlântico, entre o Rio de Janeiro e Paris, não deixando praticamente nenhuma esperança de sobreviventes; vários países mobilizaram meios para a busca do aparelho.

O presidente Nicolas Sarkozy declarou que não havia "nenhum elemento preciso", para explicar o desaparecimento do Airbus, acrescentando que "eram frágeis as perspectivas de encontrar sobreviventes", após ter encontrado famílias de passageiros no aeroporto de Roissy.

"Neste ponto, não podemos privilegiar nenhuma tese ou excluir alguma. Sabemos que havia fortes turbulências mas outros aviões passaram por turbulências", disse. A hipótese de que o avião pudesse ter sido atingido por um raio foi evocada durante o dia por um diretor da companhia.

Sarkozy telefonou na noite desta segunda-feira para o brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva para expressar "suas condolências e solidariedade" às famílias brasileiras dos passageiros", anunciou o Palácio do Eliseu.

No Rio como em Paris, os parentes dos passageiros estavam em estado de choque. No aeroporto parisiense de Roissy, as famílias se lançaram em busca de informações, muitas vezes com os olhos vermelhos de lágrimas.

É a maior catástrofe vivida pela companhia aérea francesa, e uma das mais mortíferas dos últimos anos no mundo. Trata-se também do primeiro acidente com um Airbus A330, desde sua entrada em serviço.

A tragédia se produziu "entre o litoral brasileiro e o africano, numa zona de algumas dezenas de milhas náuticas", segundo o diretor-geral da Air France, Pierre-Henry Gourgeon.

As buscas foram retomadas dos dois lados do Atlântico: aviões de reconhecimento franceses foram mobilizados, entre eles um que deixou Dacar; a Força Aérea Brasileira iniciou as buscas bem cedo nesta segunda-feira, a partir da ilha de Fernando de Noronha, ao longo de seu litoral nordeste.

Sete aviões e helicópteros, assim como três navios, participavam das buscas numa zona situada a mais de 1.100 km a nordeste do litoral brasileiro.

Um avião da guarda civil espanhola, que decolou de Dacar, se somou às operações. A França também pediu ajuda ao Pentágono, para disponibilizar seus satélites de observação e escuta para tentar localizar o avião, segundo a assessoria do ministro francês da Defesa, Hervé Morin.

O Airbus A330 deixou o Rio domingo, às 19H00 locais (22H00 GMT), devendo pousar nesta segunda às 11H10, hora de Paris (09H10 GMT), no aeroporto de Roissy, onde não chegou. Desapareceu das telas de controle quando sobrevoava o Atlântico.

O Airbus havia enviado automaticamente alguns dados, precisou o diretor-geral da Air France, que consistiam numa "sucessão de dez mensagens técnicas" por volta das 4h15, hora de Paris (2H15 GMT), dizendo que "vários equipamentos" estavam em pane provocando "uma situação totalmente inédita no avião".

Segundo Gourgeon, "é provável que foi pouco depois das mensagens que ocorreu o impacto, no Atlântico".

Na última mensagem, o comandante anunciava forte turbulências e, depois disso, o contacto foi perdido.

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