Voo de premiê britânico é desviado por medo de ataque do Taleban

Em sua primeira viagem ao Afeganistão desde sua posse, David Cameron planejava visitar base que comanda operações em Helmand

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, foi forçado nesta quinta-feira a desistir de uma visita a soldados britânicos na Província de Helmand, no Afeganistão, depois que oficiais de inteligência identificaram uma conspiração da milícia islâmica Taleban contra uma autoridade não identificada, informou o jornal britânico The Guardian.

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Primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, conversa com soldados no Afeganistão

O helicóptero Chinook de Cameron foi desviado cinco minutos após a decolagem, depois de as autoridades de inteligência interceptarem duas ligações por celular perto da base que ele visitaria.

Assessores disseram que a primeira chamada, em que os militantes mencionaram que abateriam um helicóptero, não causou alarme. Mas uma segunda chamada, em que militantes disseram que um VIP (sigla em inglês para Pessoa Muito Importante) estava a bordo do helicóptero na área foi suficiente para persuadir o comando militar a cancelar a visita de Cameron à base de patrulha de Shahzad. A chamada foi interceptada perto da base.

"As duas chamadas interceptadas quase ao mesmo tempo significavam que era muito arriscado manter a visita", disse uma fonte graduada. Mas o governo subestimou o episódio. "Isso não deveria ser visto como uma grande questão de segurança", disse o porta-voz do premiê. "Cameron ficou desapontado por não ter visitado os soldados."

Cameron, que viajou para Helmand depois de iniciar sua visita no Afeganistão mais cedo em Cabul, visitaria os militares em Lashkar Gah, base da qual as tropas de campo são comandadas. Mais tarde ele se reuniu com soldados durante um churrasco.

Reforço militar britânico

Em sua primeira visita ao Afeganistão desde que assumiu o cargo, em 11 de maio, Cameron descartou enviar mais soldados ao Afeganistão, país que é prioridade na política externa do seu recém-eleito governo de coalizão. "A questão de (enviar ao Afeganistão) mais tropas não está incluída na agenda britânica", disse Cameron em Cabul, ao lado do presidente afegão, Hamid Karzai.

Cameron qualificou 2010 como um ano "vital" para a missão da Otan no Afeganistão. As tropas estrangeiras, lideradas pelos EUA, invadiram o Afeganistão no fim de 2001 para depor o regime Taleban.

Em um mês no cargo, Cameron tem avaliado exaustivamente a situação da guerra do Afeganistão, onde a Grã-Bretanha tem 9,5 mil soldados, segundo maior contingente estrangeiro, depois do americano.

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Primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, cumprimenta presidente afegão, Hamid Karzai, em Cabul
O grande número de baixas - quase 300 soldados britânicos já foram mortos no país desde 2001 - corroi o apoio popular ao envolvimento militar britânico na guerra, que sobrecarrega as finanças públicas num momento em que o governo precisa cortar gastos para controlar o déficit.

"Ninguém deseja que as tropas britânicas fiquem no Afeganistão um dia a mais do que o necessário", disse Cameron em Cabul. "O que queremos - e é do interesse da nossa segurança nacional - é entregar (a situação) para um Afeganistão que seja capaz de controlar sua própria segurança."

O contingente militar estrangeiro no Afeganistão está prestes a chegar ao recorde de quase 150 mil, mas a morte de 18 soldados estrangeiros só nesta semana mostra que o Taleban nunca esteve tão forte desde que o seu regime islâmico foi derrubado.

Em Kandahar, reduto insurgente no sul do país, um homem-bomba supostamente do Taleban matou pelo menos 40 pessoas em uma festa de casamento na noite de quarta-feira , segundo policiais. Muitos convidados eram ligados a autoridades locais que cooperam com as forças ocidentais.

Ofensiva em Kandahar

O comandante das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, o general americano Stanley McChrystal, afirmou nesta quinta-feira que as operações para neutralizar militantes do Taleban na região da cidade de Kandahar devem transcorrer de maneira mais lenta que o anteriormente planejado.

Em discurso na sede da Otan em Bruxelas, McChrystal apresentou um balanço dos últimos 12 meses de operações no Afeganistão e disse que as ações em Kandahar serão retardadas de forma a garantir que elas tenham apoio da população local.

As forças americanas no Afeganistão esperavam completar a maior parte das operações em Kandahar por volta do mês de agosto, mas, nesta quinta-feira, McChrystal não determinou um novo prazo para sua conclusão. "À medida que conduzimos operações contra a insurgência (...) nos lembramos que deve ser um processo feito com ponderação. Leva tempo para convencer as pessoas", disse.

Apesar de afirmar que o ritmo das operações em Kandahar não será tão rápido como o esperado, McChrystal disse avaliar que o fato não é necessariamente negativo. "Não acho que isso seja necessariamente ruim. Penso que é mais importante que façamos isso de maneira correta do que rápida", disse.

*Com Reuters, BBC e AFP

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