Voo 447: primeiras conclusões sairão no fim de julho

As primeiras conclusões dos peritos após a análise dos destroços do avião da Air France que caiu no mar no dia 1º de junho quando ia do Rio a Paris serão divulgados até o fim de julho, anunciou nesta sexta-feira a direção da polícia judicial dos gendarmes franceses.

AFP |

Ao todo, 1.100 partes do avião foram enviadas para análise, entre carrinhos usados para as bandejas de comida, pedaços do piso e coletes salva-vidas não inflados.

Um primeiro lote de 650 itens chegou na quinta-feira no Centro de Testes Aeronáuticos de Toulouse (CEAT), vindos do Brasil. O organismo é um braço da Direção Geral de Armamento (DGA).

"As primeiras conclusões da análise dos 650 restos serão conhecidas até o fim de julho", declarou o general David Galtier, diretor do serviço de investigações da gendarmeria, que deu uma entrevista coletiva em Roissy, perto de Paris.

Até o fim do mês, os especialistas deverão entregar "elementos materiais interessantes" a partir dos quais "elaboraremos as hipóteses", explicou o militar.

Um segundo lote de 450 itens deve chegar no começo de agosto a Toulon (sul).

Em outra frente, a equipe de investigação, composta por 40 pessoas, já realizou mais de 100 audiências com funcionários da Air France e da Airbus, além de familiares das 228 vítimas.

Em 2000, depois do acidente de um Concorde no norte de Paris, 2.500 pessoas chegaram a prestar depoimento durante as investigações, que duraram dois anos.

Divididos em grupos de trabalho, os investigadores trabalham sobre várias linhas a respeito da tragédia aérea: o acidente do voo AF447 se deveu a um problema de manutenção? Houve atos mal-intencionados? A tripulação estava bem preparada? Quem eram as vítimas?

"Nada foi descartado. Ainda é cedo demais para deixar de lado alguma hipótese. Para a investigação judicial, o objetivo é buscar as causas do acidente e determinar as responsabilidades penais", destacou o general Galtier.

Além dos destroços, as equipes de resgate conseguiram recuperar 50 corpos, dos quais 43 foram "formalmente identificados" - 17 deles pertencem a franceses, e entre estes estão os do comandante e de outros três membros da tripulação, segundo o militar.

As autópsias feitas no Brasil por médicos legistas locais e as auxiliadas por especialistas franceses revelaram que nenhuma das pessoas encontradas morreu afogada, segundo um dos investigadores.

Ainda rastreando o oceano Atlântico na área do acidente, o navio oceanográfico francês "Pourquoi pas?", continuará procurando pelas caixas-pretas. A partir da próxima semana, ele utilizará um radar capaz de detectar massas metálicas a até 4.000 metros de profundidade. As buscas devem continuar por pelo menos dois meses.

lo/ap/lm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG